terça-feira, fevereiro 26, 2008

Afinal... não faz nada?

Afinal tomar Prozac é o mesmo que tomar placebo?

A ler, também aqui.


Pelos vistos, só nos casos de depressão severa é que se verifica uma diferença estatisticamente significativa comparando os efeitos dos antidepressivos com os do placebo.

domingo, fevereiro 24, 2008

Farmácias Portuguesas

Unidas...

.... contra o eixo-do-mal! (eles andem aí e andem aos pares!)

video

É o que parece esta publicidade descabida da "nova imagem" das farmácias em Portugal (associadas à ANF, claro está) que querem transmitir à população portuguesa.

Nem quero discutir muito o aspecto estético das novas batas, que põe os farmacêuticos de oficina a usar uma imagem de marca impigida por mais um negócio da ANF e que os põe vestidos todos de igual, tal e qual como a farda que se usa num hipermercado qualquer pelo país fora. E não é só aos farmacêuticos, porque todos aqueles que trabalham numa farmácia portuguesa, seja técnico ou praticante, também deverão ter direito de usar estas novas batas!

É engraçado reparar que o símbolo da ANF não aparece uma única vez neste anúncio. Faz sentido: toda a mensagem que se quer passar deverá ser válida para qualquer farmácia (um serviço de qualidade, um atendimento exemplar, um conselho adequado a cada pergunta, um apoio importante e útil para cada utente). No entanto, é estranho pensar de que outro modo as farmácias portuguesas teriam a possibilidade de se juntar e criar todo este anúncio às qualidades dos seus serviços.

Cada farmácia tem o seu proprietário, a sua gestão, a sua imagem em termos de loja, e obviamente, a sua clientela. São todas diferentes.
O que este anúncio reflecte, é uma chamada de atenção à população para que recorram às farmácias "centrais" [típicas do centro da localidade, mais próximas do utente...] em detrimento das parafarmácias. Unidas, contra os "belmiros" deste país?!

Não posso crer que a única coisa que se possa fazer para publicitar a qualidade do serviço farmacêutico especializado, seja mudar a imagem das farmácias. Todos com o mesmo uniforme, é como trabalhar para a mesma corporação. Todos com o anúncio colado na janela a dizer "farmácia portuguesa" é uma redundância e retórica - afinal não estamos em Portugal? não será óbvio que será uma farmácia portuguesa, estando em Portugal?!

Mas tudo isto é simplesmente um pré-anúncio. Pois não tarda muito para se publicitar o cartão de descontos... nas "farmácias portuguesas".

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Consumismo

Muitas vezes fico atordoada com a capacidade "gastadora" [spend spend spend!] do público em geral.

Uma marca cosmética bastante conhecida, que faz parte de um grupo francês igualmente bastante conhecido, tem por estes dias uns packs de cremes das suas várias gamas, normalmente contendo dois ou três produtos, em que oferecem ainda um relógio. A ideia do relógio é bem pensada, pois em termos de aspecto, este é muito similar àqueles relógios que têm a possibilidade de se trocar as diferentes braceletes. Chama muito a atenção.

Mal os vi, pensei "isto vai dar barraca!"

Dito e comprovado. Em dois dias que os packs estão à vista e à disposição de todos, já se fizeram umas 10 vezes a mesma pergunta ao balcão: "olhe lá, não dá para trocar os relógios?" Isto porque, a cada gama de produto corresponde um relógio de cor diferente [branco, azul, rosa, vermelho e preto]. Muitas vezes a pergunta ainda foi "que produtos é que têm lá dentro da caixa? [depois da resposta] Ah, deixe lá, o relógio é giro, mas eu não uso nada disso! Não dá para trocar a cor do relógio?"

Rídiculo. Aqui só se prova que as pessoas compram as coisas pelos brindes. Talvez não seja novidade nenhuma para ninguém. Mas eu fico muito incomodada, desculpem.
É a minha consciência que o dita.

domingo, fevereiro 03, 2008

Ainda a lei anti-tabaco

Geralmente a minha manhã domingueira começa com a leitura do Expresso. E geralmente também tenho o hábito de ler o artigo do Miguel Sousa Tavares (MST).
Ora, desde o aparecimento da lei anti-tabaco (e mesmo antes de ela ser implementada), já MST escrevia sobre o assunto de modo muito crítico. E hoje a crónica semanal de MST vinha cheia de pérolas:
Um mês depois da entrada em vigor da lei totalitária contra os fumadores, o balanço político é totalmente favorável aos fumadores: aos olhos de qualquer pessoa de boa-fé, tornou-se evidente que a lei não visou apenas proteger os não-fumadores, mas também castigar os fumadores, tornar-lhes a existência diária infernal

Os fumadores perderam esta batalha na lei, mas ganharam-na politicamente. Há uma revolta geral, cívica e política, contra a lei, a que se juntam muitos não-fumadores que entenderam que o que está em causa é mais, muito mais, do que o direito a um vício: é o direito inalienável de cada um decidir sobre a sua saúde e os seus hábitos de vida, se isso só o implica a ele.

Vivemos um terrorismo sanitário, sabiamente inspirado pela indústria farmacêutica, que nos bombardeia diariamente com ameaças sobre a nossa saúde e a 'oferecer' os correspondentes remédios contra o tabaco, o colesterol, a tensão alta, a obesidade, ou os efeitos nocivos do sol.


É verdade, retirei as frases que me pareceram mais ilustrativas deste artigo com o meu próprio critério: aquilo que faz menos sentido.
Quando é que esta gente se convence que esta lei só veio ajudar a todos??
Bom, ao menos as "novas" PIDE não fazem uma coisa: censurar estes artigos e estas opiniões!

sábado, fevereiro 02, 2008

Confusões ao balcão

Não é que eu queira de maneira alguma comparar o que vou aqui contar-vos às belas calinadas que a nossa amiga e colega teardrop nos deixa de vez em quando no seu blog.

Longe disso.

Mas são calinadas na mesma, de facto. Não vêm é de utentes mal-informados ou com ideias confusas sobre aquilo que pedem ao balcão. São talvez calinadas mais graves e preocupantes.

#1 - A um colega da farmácia veio parar-lhe às mãos uma receita que, de entre outros medicamentos, foi prescrito FuradantinaMC com a seguinte posologia: fazer em SOS.

Aqui sinceramente não percebo: é para fazer, caso tiver infecção urinária, e seguir a posologia recomendada?; ou é para ter em casa, e se sentir ardor, faz um e depois pára?
Eu quero acreditar que é para a pessoa começar a fazer só se tiver sinais mesmo de infecção instalada, segundo a posologia recomendada pelo médico. Mas fiquei com a dúvida e o meu colega também!

#2 - Já não é a primeira vez que me aparecem receitas de médicos pediatras, acabadinhas de vir do hospital, que apresentam antibióticos em suspensão e a seguinte posologia: conforme peso e idade.

Para ser sincera, não me custa nada fazer contas e se calhar ao fazê-las à frente dos pais e com o seu entendimento, os pais confiem mais no tratamento. Mas o que me faz mais confusão é ter confirmado com os pais da criança, invariavelmente, que a consulta foi muito rápida e sem grandes explicações acerca do tratamento. É que é uma coisa eles escreverem na receita este tipo de coisa, mas outra ainda mais grave é haver falta de informação verbal.

#3 - Ao mesmo colega foi-lhe apresentada uma receita com antibiótico e anti-inflamatório que ele prontamente aviou. Aquando da escrita da posologia nas caixas e sua explicação ao utente, este interrompe para dizer: "espere lá, o nome é meu, o médico é meu, mas eu não pedi nada disto! a minha receita deveria ser vastarel [e um medicamento para a HTA]!"

Isto são coisas importantes: as pessoas não têm tempo para ir ao médico para pedir os seus medicamentos; os médicos muitas vezes vêem-se obrigados a facilitar essa situação sem marcar consulta; resultado - confusões destas!

#4 - Com a modernice das receitas electrónicas, basta o médico inserir mal o número de utente para que venha outro nome de utente, embora lhe prescreva os medicamentos correctos. Já me aconteceu umas duas ou três vezes, e o assunto acaba sempre na necessidade da pessoa trazer nova receita.

A modernice trouxe vantagens, mas algumas dores de cabeça. Mas errar, de facto, é humano. É uma chatice quando temos de voltar atrás para resolver um erro de falta de atenção.

Certamente não é a primeira vez que aconteceram estes casos. O que é triste: significa que já estou à espera que aconteçam mais vezes. O que por sua vez mostra que o que está mal, tarde ou nunca se endireita...