domingo, novembro 02, 2008

Mitos farmacêuticos

Volta e meia no meu local de trabalho questionamo-nos sobre pequenas dúvidas farmacêuticas que nos surgem ao longo dos dias. Nesta última semana descobrimos mais um mito de farmácia.

Alguns dos nossos colegas já se indagaram sobre a diferença entre a lactulose e o lactitol, ambos laxantes osmóticos, o primeiro muito mais usado que o segundo quer a nível hospitalar quer a nível de ambulatório. A razão para escolher entre um ou outro foi nos há muito ensinada: lactitol apenas para diabéticos, já que a lactulose poderia levar a um aumento da glicemia. Mas já agora, como é que a lactulose aumenta a glicemia?

Primeiro que tudo: quer a lactulose quer o lactitol são ambos açucares sintéticos. A sua acção laxante baseia-se na capacidade de atravessarem intactos o intestino delgado e apenas serem degradados no cólon por bactérias comensais. A degradação destes açucares leva à formação de ácidos orgânicos que provocam um aumento de água no lúmen do cólon, e consequentemente ao aumento do volume das fezes.
Realmente, a degradação da lactulose nestas condições pode levar à libertação de galactose e frutose. Porém, a quantidade libertada e absorvida no cólon será sempre pequena, visto que a maior parte será degradada pelas bactérias.

Lendo os RCMs destes dois fármacos, verificamos que nem a lactulose refere ser imprópria para diabéticos, nem que o lactitol é próprio para diabéticos. Refere-se apenas que cinco saquetas de lactulose (cada saqueta possui 15mL) é equivalente a 1/4 de um pão, e que o lactitol é útil para doentes intolerantes à lactose. Ora, a maioria dos doentes faz 3 ou menos saquetas de lactulose por dia.

Aparentemente pelas nossas pesquisas não há qualquer razão para utilizar um ou outro fármaco em diabéticos. Fica-nos o aviso que por vezes as certezas que temos sobre alguns assuntos podem não estar muito correctas!

1 comentário:

Vivian disse...

Oiiii colegas!!! parabéns pelo blog!!! nota 10!!!