quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Mudança de Sondagem

Cá nos encontramos no final do mês de Fevereiro, e tal como indica a periodicidade da sondagem deste blog, estamos na altura de mudar de tema!

Antes de mudar de sondagem, temos de apresentar os resultados da sondagem que agora finda!
Portanto a pergunta era:

"Há interesse em estudar fora do país?"

e as alternativas de resposta eram:

"Sim!", que obteve uns estonteantes 6 votos - 60%
"Não!", que não obteve qualquer voto
"Numas coisas sim, noutras não!", que foi resposta escolhida por 4 leitores - 40%,
sendo o total de votos 10.

É curioso constatar que ninguém (embora o número de votos seja pequeno) votou no "Não!". Estudar fora de Portugal, a meu ver, tem duas componentes essenciais a ter em conta: a experiência de estudar numa realidade diferente da portuguesa, aprendendo com as diferenças e tirar proveito destas; e aquilo que vamos fazer "lá fora" pode influenciar o nosso destino como recém-licenciados, primeiro pelo currículo e depois porque temos uma possibilidade de estudo que muito provavelmente não conseguiríamos em Portugal. Digo isto neste sentido, pois falo na qualidade de aluna que irá em programa Erasmus num futuro próximo, e foram estes dois princípios básicos que me levaram a participar no programa. Nesta lógica, o meu voto foi "Sim!" ;-) mas admito que se pensasse na vertente de fazer um ano curricular no estrangeiro, votaria na 3ª opção! Muitas vezes perde-se o ano quando se estuda lá fora, por falta de equivalências.
Claro que isto também depende da faculdade e do curso (especialmente se é "mobility-friendly").
Estudar fora do país também inclui a possibilidade de fazer o curso superior todo no estrangeiro. Será que é difícil um português licenciado no estrangeiro adaptar-se à realidade portuguesa? Claro que depende da profissão, mas será que há facilidade de adaptação = arranjar emprego?

O número de leitores que participaram na sondagem mantém-se na ordem dos 10. O intuito de tornar a sondagem mensal foi exactamente para dar maior oportunidade de aumentar o universo inquirido. No entanto, o objectivo ainda não foi alcançado.
Portanto, vamos passar à sondagem nova que permanecerá no blog durante o mês de Março. Apelo mais uma vez aos leitores para a sua participação. É óbvio que a sua participação é com o intuito de criar tema de debate e para nós, autores do blog, verificarmos se há ou não um aumento da afluência de leitores do blog. (A propósito, já chegámos às 3000 visitas!) Aproveito também para incentivar a participação sobre a forma de comentários aos posts. São todos benvindos! :-) Agradeço desde já àqueles que já comentaram e especialmente àqueles que, com alguma regularidade comentam os posts.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

HIV-1 and HSV-2, is there a link?

Saiu há dias um interessante artigo no New England Journal of Medicine (NEJM), sobre a possível influência da co-infecção peloo vírus herpes tipo 2 (HSV-2) na infecção pelo vírus da imunodeficiência adquirida de tipo 1 (HIV-1). Este artigo refere-se a um estudo epidemiológico realizado em África em mulheres que estavam infectadas pelos vírus HSV-2 e HIV-1.

Diversos estudos referem que indivíduos que sejam portadores do vírus herpes tinham até três vezes mais possibilidades de serem infectados pelo vírus HIV, enquanto que outros estudos referem também que a infecção por HSV-2 podia aumentar a quantidade de RNA de HIV-1 ao nível da mucosa genital. Os mecanismos que podem explicar estes dados são a afluência de linfócitos CD4+ às lesões herpéticas, ou mesmo a transactivação de genes HIV por algumas proteínas do HSV-2. Deste modo, o controlo da infecção por HSV-2 poderia ser um bom método para diminuir a incidência de casos de indivíduos infectados por HIV-1.

Este estudo experimental duplamente cego consistiu na administração a mulheres seropositivas para HIV-1 e HSV-2 de 500 mg de valaciclovir duas vezes por dia durante doze semanas. Foram definidos como parâmetros a controlar a presença, frequência e quantidade de RNA HIV-1 no sangue e na mucosa genital, e também o nível de DNA HSV-2 no sangue e a presença de úlceras genitais causadas pelo HSV-2. O grupo controlo recebeu placebo e as participantes no estudo foram aleatoriamente colocadas em cada um dos grupos.

Os principais resultados deste estudo são a diminuição da frequência de RNA HIV-2 na mucosa genital no grupo sujeito ao tratamento com valaciclovir (O.R. = 0,41), assim como uma diminuição da quantidade de RNA presente na mucosa genital. Também os níveis de RNA HIV-1 plasmáticos sofreram uma redução com o tratamento com valaciclovir. Para além disso, este estudo permitiu verificar que ao longo do tempo estes efeitos foram tornando-se cada vez maiores, ou seja, o número de episódios em que o RNA de HIV-1 foi detectado foi sendo cada vez menor, e também a quantidade detectada foi sendo cada vez menor.
Como o estudo bem refere, apesar destes resultados não terem uma implicação directa sobre o tratamento do HIV, podem melhorar a prevenção da infecção por HIV-1 (por redução da quantidade de vírus presente na mucosa genital), assim como auxiliar a acção da terapêutica anti-retroviral (visto que se obsevou uma redução nos níveis plasmáticos de RNA HIV-1).

Perguntar... para farmacêutico responder!

Desculpem-me, mas não resisti!

Aqui está uma espécie de panfleto informativo para justificar qual a razão da concretização da campanha que a ANF promove esta semana junto das farmácias associadas "Pergunte na sua farmácia". É um incentivo à população perguntar pela medicação que faz quando a compra na sua farmácia.

Ponto número um: Agora alguns tipos de medicamentos já não têm exclusividade de venda nas farmácias, o que a meu ver é um ponto particularmente importante, pois esse tipo de medicamentos são OTC, o que aumenta a probabilidade de existir auto-medicação quando um utente os compra. Visto que isto acontece, não percebo porque só existe esta campanha a nível das farmácias. Existem outros pontos, para além das farmácias, onde se vendem os mesmos medicamentos OTC que podem causar efeitos secundários e podem ter interacções medicamentosas com a medicação sujeita a receita médica que o utente já pratica! Ou os OTC não se contemplam nesta campanha?... (obviamente, é uma pergunta retórica).

Ponto número dois: Mas este acto de dispensa e comunicação verbal e não verbal de informação, não é aquilo para o qual o farmacêutico de oficina tem de estar preparado? Não foi isto que aprendi, como diz (e bem!) o tal panfleto explicativo, durante 5 anos? A formação contínua do profissional não contempla exactamente o objectivo deste se manter sempre informado? Para que este possa ser um melhor farmacêutico = = = > ser melhor prestador de informações sobre aquilo que sabe melhor - o medicamento!

Ponto número três: Porque é que a campanha só se mantém por uma semana? Numa só semana vamos melhorar as estatísticas da OMS que nos é apresentada? "(...) nos países ocidentais, as intoxicações com medicamentos estão entre a 4ª e a 6ª causa de morte (...)"

Por estas e algumas mais razões é que eu acho que esta campanha tem mais como objectivo relembrar o público quem é que realmente manda no negócio do medicamento! É que se não for isto, então acho que a ANF está a passar um atestado de estupidez aos farmacêuticos... Então somos os que mais entendemos de medicamentos e mesmo assim deixamos as pessoas comprar o que lhes apetece sem qualquer indicação sobre o medicamento que compram??? Não posso crer...

Mais uma vez peço desculpa por esta minha revolta contra a hipocrisia que eu encontro nesta campanha.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Prós piqueninos

Saiu há já algum tempo a legislação a nível europeu que regulamenta a execução de ensaios clínicos em crianças, embora o diploma só tenha entrado em vigor no dia 26 do passado mês de Janeiro.

A necessidade de regulamentar esta área prende-se com o facto de uma grande maioria dos fármacos administrados em crianças não terem sido testados nesta faixa etária. Para além disso, os ensaios clínicos realizados em crianças levantam sempre mais questões éticas do que em relação às dos ensaios realizados em adultos, pelo que a sua execução tem de ser muito bem fundamentada.
A União Europeia respondeu a esta necessidade com a criação de um comité destinado a esta área no seio da Agência Europeia do Medicamento, denominado de Comité Pediátrico (art. 4º do Regulamento (CE) Nº 1901/2006). Este comité, constituído por cinco membros do Comité para os Medicamentos de Uso Humano (CHMP), mais um elemento por cada país membro, tem como principal função analisar planos de investigação pediátrica, tendo em conta se os estudos previstos são susceptíveis de proporcionar benefícios terapêuticos significativos para a população pediátrica, ou preencham uma necessidade terapêutica (art. 6º).
Os principais incentivos dados à indústria farmacêutica para a execução de ensaios clínicos em crianças são a prorrogação do tempo de protecção de patente em mais seis meses, mesmo que os resultados obtidos nos planos de investigação pediátrica não resultem em novas indicações pediátricas mas sim em alterações ao RCM (art. 36º). No caso dos medicamentos órfãos, a exclusividade de comercialização passa de dez para doze anos (art. 37º). Para além disso, os Estados-membros poderão disponibilizar incentivos à investigação (art. 39º). Em relação a medicamentos genéricos, biológicos similares, tradicionais à base de plantas e homeopáticos, estes podem dispensar a execução de ensaios clínicos em crianças, desde que apresentem informação que justifique o seu uso em crianças (parágrafos introdutórios Nºs 11 e 20).

A Comissão Europeia prevê a utilização de um símbolo colocado na rotulagem, de forma a facilmente identificar-se um medicamento que possa ser utilizado na população pediátrica (art. 32º). Finalmente, medicamentos que já estejam no mercado com indicação para a população adulta podem manter a mesma designação comercial nos medicamentos aprovados para a população pediátrica (art. 30º).

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Orlistat como OTC - aprovado pela FDA

Uma das várias comissões formadas na FDA para avaliar as várias propostas e temas em debate que se põem nesta entidade americana reguladora de medicamentos, aprovou em Janeiro de 2006 a passagem de uma fórmula nova de orlistat para medicamento não sujeito a receita médica (nos USA, claro). No entanto, só a partir de 7 de Fevereiro de 2007 é que começou realmente a ser comercializada como tal.
Esta nova formulação, criada pela GlaxoSmithKline ® e que vai ter o nome comercial de Alli ®, tem uma dosagem mais baixa (60 mg - metade da existente no MSRM) que a formulação mais comum que conhecemos do orlistat - o famoso Xenical ® .
As razões deste medicamento passar a ingressar a lista de OTCs nos USA, acabam por se prender com o seu efeito marcado na diminuição de peso em obesos adultos. O orlistat actua por impedir a absorção de gorduras, diminuindo o aporte calório, por inibição da lipase pancreática. Sem a acção desta enzima, as gorduras não são hidrolisadas a ácidos gordos, fazendo com que estas sejam excretadas sem sofrer qualquer metabolização. É importante frisar que este tratamento só faz sentido quando há uma dieta rigorosamente bem pensada (por um médico nutricionista) como suporte de alimentação pobre em calorias e gorduras. Igualmente necessário é a existência de exercício físico regular praticado pelo doente.
A toma é sempre três vezes por dia, associando à refeição que contenha gorduras. Se a comida ingerida não conter gorduras, então a toma poderá ser omitida.
Visto por este prisma, entende-se o benefício em tornar esta molécula facilmente comercializada: sendo que a obesidade é factor de risco importante no risco cardiovascular e diabetes mellitus tipo 2.
Pelo próprio mecanismo de acção desta molécula, o que está seguramente inerente a este tratamento é a perda de absorção de alguns nutrientes (oligoelementos) que utilizam as gorduras para serem absorvidos. Neste caso, torna-se necessário associar ao tratamento um multivitamínico para compensar estas perdas.
Nem tudo são rosas! O orlistat tem efeitos secundários (como o que referi atrás) que incluem a flatulência e a esteatorreia (pela lógica da sua farmacologia). Além disso, é claramente contra-indicado em doentes diabéticos, e tem importantes interacções com medicamentos anticoagulantes e imunossupressores. Grávidas e mães em período de aleitamento também não devem tomar este medicamento.

Isto faz-me pensar em todos os suplementos alimentares que hoje em dia existem para este efeito - perda de peso. A publicidade é muito importante neste tipo de produtos, até porque depende muito dela para o seu sucesso. Esse tipo de produtos com essa finalidade, quase que poderia vender-se sozinho, se não fosse pelo vasto leque de oferta. Notei isto com a linha BioActivo ®, particularmente com o produto CLA (forte e Xtra). As pessoas começaram a questionar muito mais a sua eficácia e o modo de acção desde que o anúncio televisivo foi para o ar na tv. Senti uma necessidade em perceber melhor toda a linha e especialmente nestes produtos para o emagrecimento. Torna-se muito importante (sempre!) alertar para a importância de praticar exercício, de fazer dieta equilibrada e saudável, e lembrar que o processo de perda de peso é lento e muito progressivo. A importância do exercício físico e de fazer ou não dieta, implicava directamente no número de tomas (relativamente a estes produtos). Mas a consciêncialização é de facto o mais importante... o processo é mesmo lento e isto significa mesmo que num só mês não temos logo os melhores resultados possíveis. Claro que o orlistat é mais dirigido a utentes obesos, que acabam por reconhecer que necessitam de perder peso não só pela sua saúde mas para melhorar a sua qualidade de vida.


quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Desenvolvimentos no âmbito HIV

leiam, leiam:

aqui (em inglês)

aqui (em português)

e aqui (para quem tiver subscrição! Quem não tiver, pode ler o abstract!)



Boas notícias!

domingo, fevereiro 11, 2007

Viagra em formato OTC no dia 14 de Fevereiro...

... mas só no Reino Unido!

A cadeia de farmácias Alliance Boots estabeleceu um programa piloto para fornecer, como medicamento não sujeito a receita médica, Viagra ® a homens entre os 30 e 65 anos que sofram de disfunção eréctil. O preço ficou estabelecido em 50 libras. O que se pretende, dizem os promotores deste programa, é que se torne cada vez mais pública a existência desta condição, alegando que é bastante comum e que só um em cada dez homens que sofram de disfunção eréctil é medicado.
Não pensem que os homens simplesmente chegarão ao balcão e o farmacêutico cede o fármaco facilmente!! O protocolo estabelece que só algumas farmácias é que disponibilizar-se-ão a este serviço que consiste numa consulta privada com um médico (com direito a monitorização de tensão arterial, glicémia e colesterol) para avaliar a sua condição clínica.

A Alliance Boots também tem um serviço similar para o emagrecimento, queda de cabelo e tratamento de infecções por chlamydia.

sábado, fevereiro 10, 2007

Referendo já amanhã!

Não vou fazer um post acerca da minha opinião em relação ao referendo que se vai efectuar amanhã, dia 11 de Fevereiro. Não quero levantar ondas de conflito nem proporcionar uma discussão aqui no blog sobre este assunto. No entanto, ontem vi um panfleto do grupo d'Os Verdes a favor da opção SIM à pergunta que amanhã iremos (quem for responder à pergunta...) encontrar no papelzinho. Este panfleto causou um sentimento de confusão na minha consciência.
Passo a mostrar-vos:

O panfleto começa com uma reflexão acerca da pergunta e o grupo dá a sua opinião referindo o que está "verdadeiramente" em causa.


No outro lado do papel figura uma espécie de pré conclusão do grupo apoiante do SIM (antes da verdadeira conclusão e do verdadeiro apelo - a letras verdes):


A mim parece-me uma incoerência em termos de opinião, deixa-nos confusos. Por outro lado, há uma coerência com a forma como os outros grupos apoiantes (tanto do SIM como do NÃO) gerem a publicidade da sua ideia - 1º um comentário à pergunta, para nos lembrar de "qual a verdadeira questão que se põe", mas depois uma finalização naquilo que realmente gostam de comentar: o direito de opção, o direito à vida, se é ou não uma vida que se tira, etc etc etc...

Resumindo e concluíndo, com este tipo de gestão de opiniões e comunicações tão confusas, como é que não querem que a discussão acerca desta pergunta tão pertinente não seja ainda mais confusa? Como é que não deve haver pessoas confusas na sua resposta?
Só podemos concordar num ponto, a questão não é simples. Mas a resposta tem de o ser: ou SIM ou NÃO.

Só apelo ao voto de todos, por uma questão de participação activa na sociedade, independentemente da resposta simples que darão. :-)

ps: tenho pena de não ter conseguido arranjar um panfleto de um grupo apelador pelo NÃO. Quero frisar que escolhi este panfleto, que por mero acaso mo deram, somente para mostrar a grande confusão que se faz numa só opinião. Pelo que tenho visto pela comunicação social, os grupos do NÃO têm sido igualmente confusos. Finalmente, este meu post não se trata, portanto, de um apelo para votar NÃO!

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Dose unitária nas farmácias de oficina nos hospitais

O Jornal de Notícias notifica que hoje foi publicada a recomendação da Assembleia sobre a distribuição de medicamentos em dose unitária. Mas ainda não foi publicada a portaria que rege este acto.

Uma ideia com vista em aumentar a divulgação de medicamentos genéricos e diminuir o desperdício em medicamentos que o utente leva a mais para casa.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Mudanças na Saúde!

Caros leitores do linezolide, esta notícia que li há já alguns dias pareceu-me pertinente. Segundo dados recentemente divulgados no Canadá, e relativos à realidade canadiana, as mulheres começaram a morrer em número semelhante ao dos homens por algumas doenças do foro cardiovascular, precisamente o enfarte agudo de miocárdio e o acidente vascular cerebral. O relatório da Heart and Stroke Association of Canada refere: no caso do enfarte de miocárdio, enquanto que a mortalidade desceu para metade nos homens em 30 anos, nas mulheres desceu apenas 24%. Já em relação aos acidentes vasculares cerebrais, nos últimos 30 anos a mortalidade nas mulheres por esta doença aumentou, enquanto que nos homens diminui.

As razões que se apresentam para justificar estes dados são tanto sociais como biológicas. Argumenta-se, por exemplo, que as mulheres após um enfarte de miocárdio são menos referenciadas a um cardiologista, menos referenciadas para fazer angioplastias ou bypass cardíaco, e morrem mais no hospital após um enfarte. Mesmo depois destes tratamentos, vivem menos tempo que os homens. Outras razões apresentadas são o facto de se as mulheres forem viúvas ou tiverem alguém doente a seu cargo, irão menos vezes ao cardiologista ou não terão tempo para procurar informação sobre a doença. Importa dizer que os factores sócio-económicos são influentes na saúde e estilos de vida das mulheres, pelo que apoio governamental nesta área é considerado benéfico pelos autores do estudo.

É necessário relembrar que esta realidade pode não ser directamente extrapolada para a realidade nacional, visto que a evolução na saúde pública canadiana não foi exactamente a mesma que em Portugal nos últimos 30 anos. Porém, o Canadá é um dos países mais ricos do Mundo, e possui dos mais altos índices de desenvolvimento humano, pelo que esta tendência poderá ser seguida por outros países desonvolvidos.
Caras leitoras do linez, aprumem-se: o AVC e o enfarte, eles andem aí!

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Naltrexona no tratamento da Doença de Crohn

A naltrexona é uma substância que tem sido usada no tratamento da dependência do álcool e de narcóticos, aliviando os sintomas da abstinência que estas drogas causam. É também uma molécula que tem sido estudada noutras áreas, nomeadamente como supressor do apetite, e mais recentemente, num ensaio clínico, foi demonstrada a sua capacidade de alívio dos sintomas da doença de Crohn.
Os investigadores da Penn State College of Medicine descobriram que administrando aos doentes baixas doses desta substância, monitorizando os doentes por 12 semanas e avaliando a qualidade de vida dos doentes, estes apresentavam melhoria considerável dos sintomas.
Os resultados demonstraram uma melhoria dos sintomas da doença em 89% dos doentes, enquanto que 67% dos doentes mostraram remissão à doença. Este resultado positivo deve-se a doentes tratados com naltrexona e medicamentos que normalmente são escolhidos para o tratamento desta doença (esteróides imunosupressores e corticosteróides). A reacção adversa desta nova terapia foram distúrbios detectados no sono de alguns dos doentes. De qualquer maneira, as vantagens mais evidentes, se a naltrexona se tornar um medicamento de escolha para a terapia desta doença, são os bons resultados com baixo custo e efeitos secundários menos agressivos (ao contrário dos imunosupressores).
O estudo continuará a ser financiado ($500,000) para que possam avaliar cada vez melhor os resultados deste tratamento nos doentes. Além disto, e porque não se sabe qual é o mecanismo de acção desta molécula para explicar o seu efeito, uma outra equipa tem já este objectivo de estudo.


__________


Suposições de que, com baixas doses de naltrexona (3,5 - 4 mg / dia) em doentes com esclerose múltipla, possa haver uma melhoria dos sintomas é uma discussão já activa desde 2004. O que se acredita é que esta molécula é capaz de levar à proliferação de linfócitos, o que na EM acaba por ser uma contradição (visto que é uma doença auto-imune). De qualquer modo no Reino Unido já há médicos a prescrever este fármaco em doentes de EM, mas sem recolha de dados. Ainda não existe nenhum ensaio clínico que possa levar a uma sustentação dos efeitos positivos que a naltrexona tem na EM.


Desperdício nos medicamentos

Confesso que vi este vídeo num blog excelente (publicidade! :-) ). Mas como isto me intrigou deveras, acho que não há mal nenhum em comentar o vídeo, aliás, a notícia TVI.

Ora vejam:



Vamos lá ver, há duas coisas que me chocam nesta notícia:
a) alguém no Ministério da Saúde teve um palpite de que "se calhar" as embalagens de medicamentos são grandes demais para aquilo que, em média, os utentes precisam realmente. O estudo é encomendado e os resultados mostram que, em média, "(...) disperdiçam-se 4,44€ se [o utente] aviar uma ou mais receitas de medicamentos comparticipados, de cada vez que for a farmácia (...)". As razões apontadas para justificar esta realidade são o dimensionamento das embalagens e a falta de adesão à terapêutica por parte do utente.
Quanto à falta de adesão, quem mais trabalha para isto não acontecer acaba sempre por ser o farmacêutico, que é o último elo da corrente de cuidados de saúde. Mas que mais é que podemos fazer? Acho que o descuido pela terapêutica iria manter-se mesmo se as embalagens correspondessem à duração do tratamento. Neste ponto, trata-se sempre de educação cívica e de saúde da pessoa - estou convicta que só se batalha no sentido correcto por força do diálogo e educação do doente.
Em relação às dimensões das embalagens, em apenas 4 meses de prática comunitária reparei em numerosos redimensionamentos, uns para corresponderem a um tratamento de 1 mês certinho, outros para arredondar aos 2 meses certinhos. Os antibióticos seguiram a lógica do tratamento certo, para evitar este desperdício.

O problema é quando há prescrição esporádica para resolver um problema novo e recente, que certamente desaparecerá e não terá recorrência.
Vejamos, "estou a espirrar demais, tenho o nariz entupidíssimo" -- vamos experimentar uma cetirizina, cuja caixa mais pequena é de 20 cp. Tomando um só à noite, e durante uns 3-4 dias... Sobram uns 16-17 cp! E o que é que eu faço a isto?? A indústria não produzirá embalagens de 10 ou menos cp sabendo que o nicho de mercado para esse dimensionamento é assim tão pequeno. É a realidade! Mas acho que está errado, deveria ser obrigatório pensar nestas alternativas.

Até acho que um grande mal das pessoas terem medicamentos a mais em casa, quando os acumulam por causa de tratamentos esporádicos, é que isto acaba numa utilização posterior para tratar "qualquer coisa parecida" ao que tiveram anteriormente, sem saberem se se adequa mesmo. Ou seja, naquelas pessoas que conhecem o conceito de Valormed e que tendencialmente não tomam medicamentos, há desperdício. Por outro lado, enquanto o medicamento estiver dentro do prazo de validade (*), existe possível automedicação.

Não querendo alongar-me ainda mais, queria só acrescentar que ainda me lembro do número de vezes em que o médico prescreve caixa pequena dum anti-inflamatório como a nimesulida, e a pessoa insistir comigo em que eu lhe dispense a caixa maior! Para quê se só tem de tomar isto durante 5 dias? Resposta: "ora, minha menina, para ficar lá em casa quando for preciso... Isso não é bom para as dores de cabeça??" Viva à legislação que me manda dispensar a caixa mais pequena, no caso de nada estar assinalado quanto ao tamanho; e seguir o que vem prescrito pelo médico! Acho que poupei uns bons euros a muita gente. ;-)

b) No mínimo, acho estranho que um estudo encomendado pelo Ministério da Saúde seja impedido de ser divulgado pelo próprio ministro... mas viva à TVI que soube mexer-se bem para sabermos disto. ;-)



(*) Uma vez um utente divulgou que andava a tomar vitaminas cujo prazo de validade já tinha expirado há 2 anos! Claramente este senhor estava na vanguarda do não-desperdício.

terça-feira, janeiro 30, 2007

30 dias versus 8 dias, quem duvida da escolha?

É o que vem numa notícia de dia 19 no site da Ordem dos Farmacêuticos: a maioria das farmácias nacionais prefere ceder os seus créditos das comparticipações sobre medicamentos à Finanfarma, empresa da ANF, do que receber os créditos directamente do Estado. Enquanto que o Estado propõe um prazo de pagamento de 30 dias, a Finanfarma promete um prazo de apenas 8 dias. O custo deste prazo continua a ser os 1,5% da facturação da farmácia.

Acontece que a ANF procedeu à realização de uma série de reuniões regionais, sendo que se inscreveram nas reuniões 2044 farmácias e participaram cerca de 3000 pessoas. Esta convocatória de reuniões ocorreu em consequência da intenção do Ministério da Saúde de criar um fundo de pagamento das dívidas às farmácias.

Bem se vê que a maioria das farmácias não aprova a proposta do Ministério da Saúde: seria trocar um sistema que todas conhecem e que funciona bem por outro que ninguém sabe muito bem como iria correr.

Parece que ninguém confia particularmente no Estado quanto ao pagamento de dívidas!

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Anúncio do Infarmed

A semana passada, ao vasculhar o site do infarmed, descobri uma notícia muito interessante. Um dos avisos publicados pelo infarmed sobre recolha de medicamentos avisava que deveriam ser recolhidos alguns lotes do medicamento glimepirida Baldacci ®, devido a não conformidades nos caracteres organolépticos.
No intuito de investigar o porquê desta recolha de lote li o comunicado assinado pelo vice-presidente do Infarmed, o nosso Prof Dr. Hélder Filipe, que indicava para meu espanto que o caracter organoléptico não conforme era a forma dos comprimidos: os comprimidos têm a forma oblonga, e neste lote saíram com a forma circular.



Ao princípio, sou sincero (e daí o meu espanto), pensei que era um motivo quase ridículo para proceder à recolha do lote (o que é que interessa ser oblongo ou redondo), mas depois lembrei-me que alguma coisa menos agradável deveria ter ocorrido para tal acontecer (o que aumentou ainda mais o meu espanto). Pensei eu: se os comprimidos saíram com a forma errada, foi porque alguém não procedeu à troca dos punções na máquina de compressão. E ninguém na produção verificou que não se tinha procedido à troca de punções. E ninguém no controlo de qualidade verificou que os comprimidos saíram com a forma errada. E alguém procedeu à libertação do lote ou sem os dados do controlo de qualidade, ou com os dados errados.
Vendo a sucessão de erros que ocorreram ao longo desta situação, vê-se o porquê desta notícia quase banal dar lugar a um post no linezolide. Todos os elementos fulcrais de uma unidade de produção falharam: produção, controlo de qualidade e direcção técnica. As razões que levaram ao acontecimento inicial são de todo desconhecidas (não limpeza da máquina entre lotes, limpeza mas não alteração dos punções, ou outras possibilidades), mas a falha no sistema de garantia de qualidade da unidade é gritante e muito desconcertante.

O linezolide espera que estes “fenómenos” não ocorram mais nas unidades de produção, e que isto tenha sido um caso isolado. De outro modo, algo vai mal no mundo farmacêutico...

Resultados da sondagem (quasi) semanal.

Apresentamos agora os resultados da última sondagem linezolide, que desta vez esteve em vigor mais que uma semana.

À pergunta “É correcto dar brindes aos utentes de uma farmácia no Natal?”, os resultados obtidos foram os seguintes:

Sim, há que manter uma boa relação com o utente: 36%
Eticamente incorrecto, mas é um bom instrumento de marketing: 29%
Só deve dar aos utentes mais assíduos: 7%
Não deve dar, pois transforma a farmácia numa loja como outra qualquer: 29%

O total de votos obtido foi de 10 votos, um recorde em relação à última sondagem onde obtivemos uns honrosos 9 votos!
Interpretando os resultados, a maioria dos votantes considera não ser um problema a distribuição dos brindes no Natal, para manter uma boa relação com o doente. Os benefícios desta boa relação são sem dúvida um melhor seguimento farmacoterapêutico e uma maior facilidade na comunicação com os doentes, no intuito da identificação de erros de medicação. No entanto, esta distribuição de brindes pode muito bem ser um instrumento de marketing usado com o objectivo de aumentar a afluência à farmácia. 29% dos votantes consideraram ser este o objectivo da distribuição dos brindes, afirmando que é um procedimento eticamente incorrecto. Outros 29% dos votantes concordaram com a não distribuição de brindes, visto que transformaria a farmácia numa loja como outra qualquer, onde não se prestaria um verdadeiro serviço de saúde. Nenhum votante considerou a hipótese de premiar os utentes mais assíduos.
Concluindo, podemos considerar que os votantes aprovam a distribuição dos brindes durante a época festiva.

Para finalizar o post, a equipa do linezolide informa que a partir de agora as sondagens passarão a ter uma periodicidade mensal, de forma a obter um maior número de votos!!

Dois factos recentes!


Que a alimentação é muito importante para a nossa vida, já toda a gente sabe. Neste caso é mesmo verdade: na publicidade aos suplementos alimentares e aos alimentos funcionais (como são exemplo os iogurtes com efeitos bifidos), este facto está ao alcance de todos.
A alimentação tornou-se num objecto de marketing nas mãos da indústria farmacêutica, um nicho de mercado completamente diferente daquele dos medicamentos de uso humano.
Nesta sequência, penso eu, criou-se uma necessidade de se pensarem em mais estudos e projectos de investigação para provar que determinado nutriente em determinada quantidade faz bem a um determinado mecanismo ou a um conjunto de acções que o nosso organismo desenvolve. Ou então, estudos para provar que a alimentação "não cuidada" só nos traz malefícios e quanto mais se demonstra que os malefícios são mais profundos do que a alteração do nosso aspecto físico, mais chocante o assunto é!

Portanto, e no seguimento lógico desta pequena introdução, apresento-vos dois assuntos que demonstram exactamente o que acima vos expus.

No primeiro figura o ácido fólico. Este nutriente, presente nos vegetais verdes, foi alvo de um estudo conduzido por investigadores holandeses que demonstraram que o ácido fólico como suplemento tem benefícios na memória e na capacidade intelectual. Como sabemos, estas duas virtudes tendem a diminuir com o envelhecimento. Daí a tentativa de promoção deste nutriente nas dietas dos mais idosos, que tomem suplementos de ácido fólico para diminuir o risco de demência. Foi exactamente isto que se provou com uma dieta rica em ácido fólico - as pessoas tinham melhor memória e processavam mais facilmente a informação.
Actualmente, os suplementos de ácido fólico são vivamente aconselhados nas mulheres grávidas. No entanto, com esta descoberta e sabendo já que esta molécula é essencial para a vida celular, já existem estudos e tentativas de inserir ácido fólico na farinha que mais se consome.
O único problema duma dieta rica em ácido fólico é mesmo que este nutriente mascara uma possível anemia devido a baixos níveis de vitamina B12.

Em segundo plano fica o malefício das gorduras trans. Para além de aumentarem o risco cardiovascular e de contribuirem como risco de diabetes, este tipo de gorduras, que primam nas batatas fritas e snacks de todo o género, estão completamente desaconselhadas nas mulheres que querem engravidar. Estas mulheres inférteis (normalmente devido ao síndrome do ovário policístico) estão em risco de aumentar a sua infertilidade ao ter uma dieta que contenha gorduras parcialmente ou totalmente hidrogenadas. O que se passa é que este tipo de gordura interage com receptores celulares que normalmente são sensíveis à insulina, e estão involvidos também no processo inflamatório. Os fármacos que activam estes receptores mostraram-se eficazes no tratamento da infertilidade em mulheres com este síndrome. Há portanto um fenómeno de competição pelo mesmo local efector por parte destas gorduras "mázinhas".
Os investigadores da Harvard School of Public Health calcularam que bastam 2% de aumento de calorias que uma mulher obtém ao comer este tipo de gorduras para que o seu risco de infertilidade aumentar desde 70% a 100%!
A FDA tomou como medida a exigência para a indústria alimentar explicitar quantos gramas de gorduras trans por cada alimento, não sendo obrigatório dizer a quantidade se esta for menor que 0,5 g.

Aqui vos mostrei dois bons exemplos do que se estuda sobre alimentação e suplementos alimentares.
Conseguirá demostrar-se, mesmo assim, que uma alimentação equilibrada e saudável poderá ser o suficiente para nos mantermos sãos?

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Vírus, os nossos amigos??

Cientistas britânicos estão actualmente a investigar a utilização de alguns vírus no tratamento de neoplasias. Esta metodologia baseia-se na capacidade de alguns vírus poderem penetrar em células tumorais, e posteriormente causarem a morte da célula tumoral: a formação de várias partículas virais no local onde se situa o tumor e a infecção das células adjacentes poderá levar à destruição in situ do tumor, já verificada quando se injecta directamente os vírus no tecido tumoral (embora seja uma técnica de pouca utilidade prática).



O que é curioso nesta ideia de terapia é o modo usado para evitar que os vírus sejam detectados pelo sistema imunitário quando administrados na circulação: os vírus são quimicamente modificados e é-lhes adicionado um revestimento polimérico (provavelmente PEGs) que permite, por redução da hidrofobicidade, evitar o reconhecimento pelo sistema imunitário. São os verdadeiros “stealth virus”, semelhantes aos lipossomas stealth já nossos conhecidos. Este revestimento, aliado à imunossupressão causada pelo tecido tumoral nos tecidos adjacentes, permite que a infecção e replicação viral ocorram sem a interferência do sistema imunitário. Caso os vírus formados após a replicação nas primeiras células, e que já não possuem o revestimento polimérico, sejam encontrados na circulação sistémica, são rapidamente detectados pelo sistema imunitário e impedidos de actuar noutros tecidos saudáveis.

Os vírus mais prováveis para serem utilizados nos primeiros ensaios serão os adenovírus e o vaccinia, embora os autores do artigo não expliquem porquê (e eu também não tive possibilidade para procurar informação...).

Esta terapêutica, caso seja exequível, seria de grande utilidade para os estadios tumorais mais terminais, onde se encontram muitas metástases: como é o próprio vírus a reconhecer as células neoplásicas, a injecção dos vírus na circulação sistémica levá-los-ia directamente aos vários locais de acção (desde que acessíveis a partir da circulação sistémica).

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Milk with your tea? No, thank you!

Aqui vai uma novidade em honra do elemento do linezolide que anda por terras francesas a trabalhar.

Pois é Riacrdo, espero bem que não gostes de leite no teu cházinho. Isto porque, segundo um estudo em que se determinava os efeitos cardiovasculares do chá preto, descobriu-se que estes são diminuídos ou mesmo anulados por completo quando o leite é adicionado ao chá.
O estudo foi concretizado em 16 mulheres (pós-menopausa) divididas em grupos que bebiam chá preto simples, chá preto com leite e o grupo controlo que bebia simplesmente agua fervida. O que os cientistas estudavam em cada mulher era a capacidade das veias dilatarem com o aumento da pressão sanguínea, após o consumo de chá preto. Neste caso, esta capacidade está aumentada quando se consome com frequência chá preto. Mas verificaram que o leite antagoniza este efeito sistémico.
Segundo o artigo publicado, isto pode explicar porque é que num país como o UK, onde é tradicional beber chá com leite, continua a existir um grande risco de acidente cardio vascular.

Eu respondo a esta conclusão, adicionando que os britânicos para além do chá, são conhecidos por tomarem pequenos-almoços muito ricos em calorias e colesterol (Bacon & eggs). Será que esta alimentação tradicional não tem uma maior importância do que o facto de pôr leite no chá?
Além disto, gostaria muito de ler o artigo publicado no European Heart Journal, para saber como é que estas senhoras foram seleccionadas.
Enfim, mais um estudo com resultados curiosos! ;-)

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Feliz 2007

A equipa do linezolide deseja a todos um


Feliz Ano Novo!


novamente, cheio de saúde! ;-)

sexta-feira, dezembro 29, 2006

riacrdoo nosocomiado (II)

E de novo as infecções nosocomiais!

Um estudo da universidade John Hopkins nos EUA, e publicado hoje na revista científica New England Journal of Medicine, revela que pequenos procedimentos são suficientes para reduzir drasticamente a incidência de infecções hospitalares. Coisas tão simples como lavar as mãos, ou quando se insere um catéter central limpar bem a zona de inserção e usar luvas, máscara e bata.



Os investigadores conseguiram, com estes procedimentos, reduzir em 66% a taxa de incidência de infecções nosocomiais originadas pela colocação de catéter central. Foram consituídos protocolos para a colocação de catéter central, assim como constituiram-se equipas de médicos e enfermeiros que tinham de cumprir determinados objectivos diários, seguindo algumas check-lists.

Outro pormenor desta notícia é que no estado americano de Maryland, desde a primavera deste ano, é obrigatório para algumas unidades hospitalares fazerem a vigilância das infecções nosocomiais, e reportarem as infecções detectadas às autoridades competentes.

Cá está, são pequenas coisas que fazem toda a diferença: não é necessário abusar de antibióticos para controlar um grave problema hospitalar.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Ano novo, comparticipações novas

Tal como foi discutido para a aprovação da Lei do Orçamento de Estado de 2007, os medicamentos comparticipados veriam pelo menos três alterações durante este ano que se segue:
1) as suas comparticipações seriam diminuídas nos três escalões (B, C e D);
2) a redução do seu preço de venda ao público seria de 6%;
e 3) propôs-se a revisão do Sistema dos Preços de Referência.

Ontem (27/12) o INFARMED enviou uma circular informativa a todas as farmácias, a dar conta destas três alterações.
As alterações são, passando a citar:
- a comparticipação do escalão B baixa de 70% para 69%;
- " " " " C baixa de 40% para 37%;
- " " " " D baixa de 20% para 15%. Tudo isto a partir do dia 1 de Fevereiro de 2007.
Ainda, a redução de 6% no PVP dos medicamentos comparticipados também entra em vigor a partir do mesmo dia. Finalmente, a revisão do sistema de Preços de Referência é que só irá efectuar-se neste dia 1 de Fev, ao contrário do previsto (dia 1 de Janeiro).
Os medicamentos de comparticipação do escalão A, mantêm os 95% de encargo pelo Estado.

Na realidade, o Estado foi bastante subtil nestas alterações, pois compensa a redução do PVP dos medicamentos com a diminuição dos seus encargos. Os jornais alertam para estas modificações e referem que o utente não deverá sentir diferença naquilo que pagam, dizendo mesmo que o público poupará cerca de 13 milhões de euros por ano (contra os 115 milhões de euros que o Estado poupará).

É também de referir que já se falou na hipótese de se acabarem com os regimes de complementaridade ainda em 2007. Mas ainda não passa de um rumor (?)...

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Má-informação?...

Os antipsicóticos de segunda geração como a risperidona, a olanzapina ou a quetiapina são considerados como tratamento de primeira linha para a esquizofrenia, por apresentarem menos efeitos secundários de movimento (como a discinésia) que os antipsicóticos de 1ª geração. No entanto, estas novas moléculas não estão livres de efeitos secundários, apesar de serem melhor toleradas pelo organismo.

Os efeitos secundários deste grupo de medicamentos engloba o aumento de peso, a tendência para o aumento do colesterol e da glicémia. Como tal, muitos das indústrias que produzem e vendem estes medicamentos têm mesmo tido a precaução de avisar os doentes e todos os profissionais de saúde que estes factores são de risco por levarem ao aparecimento de diabetes tipo 2.

Mas o curioso é que a empresa Eli Lilly (r), produtora do famoso Zyprexa (r), conseguiu manter numa espécie de segredo que a olanzapina também tinha estes dois riscos associados ao seu consumo. Ensaios clínicos foram feitos, claro está, mas os resultados foram tratados de tal modo que fosse possível informar os médicos e os farmacêuticos de tudo o que o medicamento tem de bom e mau, excepto essa característica de aumentar a glicémia com a toma prolongada do antipsicótico. O que é extraordinário, como vem referido neste artigo aqui, é que os delegados de informação médica tiveram mesmo ordens para não mencionar estes efeitos secundários. A empresa queria primar com a sua molécula com a ajuda da omissão de factos. Nem tudo lhes correu bem, porque ao longo dos anos em que o medicamento já está no mercado, os médicos notaram que os seus pacientes, mesmo tomando o Zyprexa (r), estavam a ficar obesos e com tendência para a hiperglicémia.

Todos os factos negros sobre este medicamento conseguiram ver a luz do dia graças a um advogado que representa nos USA uma associação de doentes esquizofrénicos e que tomam este medicamento. Pacientes que já se tinham queixado várias vezes das consequências que o antipsicótico lhes infligiu mas sem qualquer resposta por parte da empresa.
Resta agora saber, como é que se vai resolver este problema. Por um lado, ao longo dos anos, os médicos (dos USA) foram deixando de prescrever este antipsicótico, por suspeitarem deste possuir os mesmo efeitos secundários que as restantes moléculas de segunda geração possuem.
Mas por outro lado, falta a parte da regulamentação que tem de agir depressa para se evitar um maior número de doentes mentais com risco de terem diabetes tipo 2.

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Boas Festas!


Para assinalar a temporada que agora atravessamos, mas também para assinalar o primeiro Natal que o Linezolide *comemora*, a equipa deste blog deseja a todos os seus leitores um...
Feliz Natal


cheio de saúde! ;-)







da equipa,
Andie & Riacrdoo

sábado, dezembro 23, 2006

Nuestros hermanos sem papas na língua!

Uma notícia já com algumas semanitas (Setembro), mas que só foi ontem referida no site da Ordem dos Farmacêuticos, despertou a minha atenção.



O Governo Espanhol, após a instauração de um processo pela Comissão Europeia, veio defender o seu modelo de farmácia, baseando-se no elevado nível de protecção da saúde pública que as farmácias espanholas oferecem e no facto de que estas são estabelecimentos privados de sáude de interesse público.

A legislação espanhola estabelece uma relação especial entre os farmacêuticos e o estado espanhol, de modo a garantir o acesso da populção aos medicamentos e aos serviços prestados pelos farmacêuticos (cuidados farmacêuticos, etc.). Para além disso, o modelo espanhol de farmácia permite uma adequada cobertura de farmácias no país (cerca de 99% da população) com um rácio farmácia/habitante apenas superado pela Grécia e Bélgica, e com uma taxa de reclamação reduzida (0,22% do total de reclamações apresentado em Espanha). Por fim, a comunicação refere que o regime espanhol da propriedade das farmácias e acumulação de farmácias não transgride a legislação comunitária.

Este tema já foi muito debatido por todos os farmacêuticos (e estudantes!) em Portugal. É claro que todas as alterações propostas pelo Governo Português são baseadas em aspectos económicos, ou seja, quem pode ou não lucrar com o negócio das farmácias. Eu, pessoalmente, acho que qualquer pessoa pode lucrar com esta actividade, mas bem sei que é difícil separar o trigo do joio: o lucro de uma farmácia é uma função do volume de vendas, e não tanto do serviço prestado pelo farmacêutico. É um dilema que penso que a maioria das pessoas não se apercebe no meio desta discussão e que se coloca aos farmacêuticos não proprietários. Vendo hoje um bocadinho mais e garanto o meu posto de trabalho e se calhar um aumento no salário, ou presto um melhor serviço independentemente disso originar um aumento ou diminuição das vendas?

Espanha, por seu lado, abstrai-se de todas estas discussões e segura-se num argumento: as farmácias tal como estão garantem um elevado nível de saúde pública, e é isso que interessa. Daí que não queiram mexer em nada!

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Resultados da 1ª sondagem!

Pois aqui vou relatar os resultados da 1ª sondagem realizada no linezolide:

Pergunta: "Gosta da cara lavada do Linezolide?"

Sim! está muito mais giro!: 46%
Sim, mas o outro também era giro...: 38%
Tanto me faz, vim só ver a bola...: 8%
Não! O outro estava mais giro!: 8%

Tivemos 9 votações nesta sondagem. É de relatar que felizmente ninguém reprovou o novo aspecto do linezolide, e que também ninguém veio ver a bola ao linezolide! E a opção que reuniu mais votos foi mesmo a que indicava que o lifting ao linezolide veio mesmo a calhar!! A equipa do linezolide agradece por isso o reconhecimento do nosso trabalho para melhorar o linez.

Mas queremos mais votações nas próximas sondagens, foi um "n" piqueno e a equipa do linezolide anseia por uma maior actividade dos leitores do blog: mais comments aos posts e também mais votações na sondagem!

O linezolide agradece o apoio dado pelos leitores, e promete que vai continuar o trabalho que tem vindo a desenvolver!

Andie & riacrdoo

sexta-feira, dezembro 15, 2006

riacrdoo nosocomiado

Esta semana assisti a um simpósio sobre infecções nosocomiais Cá está um post sobre o simpósio!



Este simpósio foi bastante procurado por profissionais, não só farmacêuticos mas também enfermeiros, que se mostraram atentos às informações divulgadas.

Em primeiro lugar focou-se o papel das Comissões de Controlo de Infecções (CCI) que procedem à vigilância epidemiológica: esta vigilância pode ser passiva, quando são os profissionais não pertencentes às CCIs que notificam os casos, ou activa quando a própria CCI faz estudos de prevalência ou de incidência de infecções.

De seguida a professora Aida referiu os métodos de caracterização epidemiológica de bactérias multirresistentes, em concreto a fenotipagem (como ex. caracterização bioquímica, serotipo, sensibilidade aos antibióticos, etc.) e a genotipagem (por ex. amplificação por PCR de sequências genómicas, RFLP ou PFGE). De seguida referiu as diferentes classes de beta-lactamases existentes, focando em especial as beta-lactamases de largo espectro.

A professora Isabel Portugal falou sobre tuberculose multirresistente, referindo que esta faceta da tuberculose encontra-se num estado de sub-notificação em Portugal. Após referir que há alguns anos foi detectado num hospital de Lisboa uma situação de transmissão nosocomial de tuberculose, a caracterização epidemiológica das estirpes analisadas na fful não permitiu concluir se essa transmissão nosocomial continuava a existir ou não!

Quanto ao afamado Acinetobacter baumannii, tema abordado pela prof Gabrielada ffuc, parece que este é um problema essencialmente europeu, e em particular em Portugal (que maravilha). Parece que é um bicharoco muito resistente no meio ambiente, sobrevivendo mesmo em anbiente seco, ou seja, mantém-se durante muito tempo nos hospitais... Para melhorar ainda, o único antibiótico ao qual é sensível a estirpe que circula em Portugal (uma estirpe ibérica, segundo a prof Gabriela) é a colistina: tudo o resto não funciona com o acinetobacter!

A última parte a que assisti (é verdade, riacrdoo às vezes sai antes das coisas acabarem), foi uma magnífica experiência relatada por uma médica do hospital do SAMS. A CCI do hospital instituiu um programa de controlo da infecção por MRSA, que resultou muito bem: diminuição acentuada do número de doentes infectados com MRSA (peço desculpa, mas não registei os valores) e diminuição das resistências aos antibióticos. Isto tudo graças um bom controlo da infecção, com rastreios a todos os doentes novos que entravam no hospital, rastreios semanais aos doentes na UCI, rastreio nos profissionais, controlo rigoroso da utilização de antibióticos, descolonização dos doentes colonizados com MRSA mas não doentes, e também o isolamento dos doentes infectados!

Concluindo, foi um óptimo simpósio onde aprendi muita coisa. Principalmnte um aspecto, que já passei a alguns amigos meus: por favor, tentem não ficar internados num hospital por longos períodos de tempo! É que com as infecções que por lá andam...

Avanço na luta contra a osteoporose

Ora aqui está uma notícia que me intrigou primeiro de uma determinada forma, e depois, passados alguns dias, de outra forma.

Vamos por partes. A notícia que vos transmito refere-se a uma nova vertente de "combate" à osteoporose (mesmo que instalada), pois implica terapêutica génica nesta área. Até agora, os tratamentos desta doença baseavam-se na inibição dos osteoclastos (inibição da reabsorção da matriz óssea, portanto), ou então no estímulo, por parte dos osteoblastos, da formação óssea. A combinação destes tratamentos é bastante comum, para tirar partido da eficácia dos dois métodos de prevenção e combate à osteoporose (um exemplo disso é a associação de bifosfonados com colecalciferol - vitamina D3).
A inovação vem de estudos em ratos, que demonstram que a inactivação do gene Atp6v0d2 resulta em osteoclastos defeituosos e um processo melhorado de formação óssea. Os resultados traduzem-se num aumento significativo da massas óssea, e revelam a necessidade de melhor compreender a fisiologia e o metabolismo do osso (coisa para a qual já contribuiram!).

Na segunda parte deste post queria referir a minha indignação relativamente ao medicamento Protelos (r). Já tinha vendido este produto, já li o seu RCM algumas vezes, mas só esta semana é que conheci a DIM responsável por nos tirar dúvidas acerca deste produto farmacêutico. Como tal, essa senhora ensinou-nos o ranelato de estrôncio tinha exactamente as mesmas propriedades (em termos práticos e de resultados) que a experiência, acima referida neste texto. evidenciou. Diz a indústria que o produz (Servier (r)) que este medicamento é inovador por impedir a acção dos osteoclastos e favorecer ao mesmo tempo a formação da matriz óssea, tornando a balança mais pesada para o lado do crescimento ósseo. E parafraseando-os "Rebalança o turnover ósseo em favor da formação".


Agora eu pergunto, será que tem muito sentido uma terapêutica génica num momento onde este medicamento parece dominar a situação? É que as únicas precauções do Protelos são a insuficiência renal grave (por não terem feito estudos que provassem que o estrôncio se acumulasse nos rins destes doentes), e em doentes que há relativamente pouco tempo têm vindo a ser tratados para trombos sanguíneos.
É extremamente interessante esta dicotomia. Não quero parecer muito céptica em relação à terapêutica génica, mas neste caso acho que estamos perante uma situação em que essa terapêutica pode demorar tanto tempo a desenvolver, que a via de desenvolvimento de fármacos tradicionais seguramente a ultrapassará em largos anos de avanço.

sábado, dezembro 09, 2006

Linezolide: Alive and Kicking!

Quando hoje a equipa deste blog fez o seu log-in habitual para postar mais um comment, deparou-se com a situação de update do serviço Blogger. Surgiu assim a oportunidade de fazer evoluir o Linezolide associando-o a uma nova imagem, mais moderna e com cores mais apelativas (pensamos nós), e aproveitando as novas funções do serviço para editar todo o layout do blog.

Assim temos:
  • mais links para os sites de amigos (ou nossos) que possam despertar o vosso interesse, a novas leituras (ou no caso do flickr.com, a imagens).
  • mais links úteis de jornais, notícias, motores de busca, associações e escolas relacionadas com farmácia e toda a área farmacêutica, empresas da indústria farmacêutica nacional e internacional, etc etc etc!
  • uma sondagem semanal que está mais para o fim da coluna ao lado direito. Teremos o cuidado de escolher sempre perguntas pertinentes que apelem ao vosso voto, para sabermos a opinião do leitor do Linezolide. Começamos por uma pergunta mais soft, para saber se gostam deste novo estilo "modernaço" do blog. Façam o favor de votar :-)
  • mais botões e coisinhas de interesse, que vamos deixar espaço à nossa imaginação para preencher. Aqui aproveito para vos convidar, a vós leitores, que deixem a vossa sugestão quanto àquilo que queiram ver neste blog: alguma nova funcionalidade? alguma sugestão relativamente à imagem do blog? Deixem as vossas opiniões sob a forma de comentários.
Como vêem, ainda foram algumas as alterações feitas. Mas a mais importante e que visivelmente se destaca é a combinação de cores escolhida. (algo que nós estávamos à muito tempo para mudar...)

Assim, convido-vos a comentar esta mudança de look do Linezolide. Votem na sondagem!

A equipa do Linezolide agradece a todos os leitores pela vossa leitura e espera que corresponda sempre às vossas expectativas.
Um grande bem haja a todos!! ;-)

Andie & Riacrdoo

sexta-feira, dezembro 08, 2006

O que é que o tetrahidrocanabinol tem a ver com a diabetes?

Mais uma novidade para a diabetes! Acho que este também não vinha nos acetatos da prof Mª Augusta!


O rimonabant é um fármaco usado no tratamento da obesidade, com acção anorética. E o mais engraçado é que antagoniza os receptores dos canabinóides, em concreto o receptor CB1 (que também existe o CB2), provocando a redução do apetite. Isto porque da acção do tetrahidrocanabinol (um agonista destes receptores) resulta um aumento do apetite, sendo por isso o tetrahidrocanabinol usado para aumentar o apetite, por exemplo, em doentes de SIDA. É mesmo classificado pelo Infarmed no grupo farmacoterapêutico 2.13 - Outros medicamentos com acção no Sistema Nervoso Central.

O rimonabant é usado em doentes obesos ( IMC≥30kg/m2), ou em doentes com IMC≥27kg/m2 e factores de risco associados (diabetes tipo 2, etc.) para promover a redução do peso.
Ora foi precisamente num estudo com doentes com diabetes tipo 2 que se verificou um benefício do rimonabant nesta patologia. Segundo os resultados do estudo, o rimonabant para além de reduzir o peso dos doentes levou também a melhorias no controlo da glicemia, nos valores de colesterol HDL e LDL, nos trigliceridos, e na pressão arterial. Segundo os autores deste estudo, os doentes que nele participaram estiveram sujeitos apenas ao rimonabant como terapêutica farmacológica.

Uma curiosidade a nível nacional é a existência de duas apresentações do rimonabant autorizadas pelo Infarmed: exactamente com as mesmas dosagens e da mesma empresa! São eles o Acomplia® e o Zimulti®, ambos da Sanofi Aventis e com data de AIM de Junho deste ano. Pena é que nenhum deles seja ainda comparticipado pelo Estado, pelo que uma simples caixa de 14 comprimidos custe 55,09€!

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Aprovado o Dec-Lei nº 235/2006

E o que é que este Decreto-lei nº 235/2006, de 6 de Dezembro, nos interessa, como farmacêuticos?

Interessa pois trata-se da aprovação daquilo de que tem vindo a ser falado nos últimos tempos no que toca à existência (ou transformação, conforme preferirem denominar a situação) de farmácias nos hospitais como serviço de dispensa ao utente.
Concretamente, este decreto-lei estabelece o regime de instalação, abertura e funcionamento de farmácia de dispensa de medicamentos ao público nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde e as condições da respectiva concessão por concurso público.
Logo no ínicio do texto deste diploma, vem referido o particular interesse do presente Governo na melhoria da acessibilidade dos medicamentos ao cidadão comum, facto que representa assim uma das suas prioridades (será o choque da saúde?...). É dos objectivos deste dec-lei que se defina o funcionamento ininterrupto destas novas farmácias hospitalares, que terão de funcionar em tudo (ou quase tudo, pois continuarão a ter a possibilidade de dispensar os medicamentos em unidose ao utente) como as farmácias comunitárias. Outro objectivo, tal como é referido anteriormente neste texto, é que a concessão da exploração comercial destas farmácias seja completamente transparente. A transparência é importantíssima ao Governo, uma vez que a abertura deste tipo de farmácias em Hospitais do SNS implica que sejam "roubados" alguns utentes das farmácias das redondezas dessas instituições, que certamente sentirão a quebra de vendas devido a estes novos desenvolvimentos.
É ainda de referir que a concessão destas farmácias poderá ser dada, no mesmo âmbito da alteração da lei da propriedade das farmácias prevista por este Governo, a sociedades comerciais cujos titulares podem não estar obrigatoriamente relacionados com o curso de Ciências Farmacêuticas.
Torna-se importante realçar que o processo de concretização destas medidas passa pelo pedido do hospital (de implantação da nova farmácia) e de contínua aprovação pelo INFARMED (que continua a ser a entidade reguladora de todos os requisitos que estas farmácias devem obedecer, para além da sua concessão em concurso público a gerir também pelo Min-Saúde).
Outro ponto a salientar é a definição de farmácia de zona, que figura no artigo 17º deste dec-lei (vale a pena ler as 6 páginas deste diploma). E também é de notar o requisito que define conceito de farmácia de zona, onde terá de ser provado que 15% da facturação provém do receituário vindo do hospital em causa.
Quanto aos hospitais que não fazem parte do SNS, o Governo prevê a concretização e aprovação de outro diploma que regulará a existência deste tipo de farmácias nessas condições (para breve, portanto).


domingo, novembro 26, 2006

Vacinas futuristicas

O Expresso deste fim de semana (leitura essencial!) tinha um número extra de notícias farmacêuticas.

Vacinas transdérmicas

Uma empresa farmacêutica americana, a Iomai encontra-se a desenvolver vacinas para a gripe e para a diarreia do viajante, utilizando sistemas transdérmicos. Estas vacinas utilizariam um método natural de imunização, através da pele, recorrendo à utilização de adjuvantes potentes que não são utilizados nas vacinas injectáveis convencionais: um exemplo é a enterotoxina termo-lábil de E. coli, que foi testada como adjuvante numa vacina deste tipo para o vírus da gripe. Estes adjuvantes permitiriam assim a imunização do organismo, mesmo sendo os antigénios de natureza proteica.
Uma questão pertinente nesta novidade é a estabilidade do produto: o antigénio, tal como foi referido, é de natureza proteica e por isso muito menos estável que outros fármacos. A empresa, no entanto, apresenta dados que asseguram a estabilidade à temperatura ambiente por 6 meses.
Como vantagens deste tipo de imunização, a empresa destaca o facto de não serem necessárias agulhas para administração dos antigénios, a ausência de efeitos provocados pelos adjuvantes, a possibilidade dos sistemas serem enviados por correio em situações de pandemia(!!!), e a distribuição fora dos circuitos de frio.
Para terminar, estas vacinas já se encontram em experimentação humana, estando alguns dos sistemas já em ensaios clínicos de fase II.

Ad latera

  • Parece que anda por aí uma vaga de despedimentos de Delegados de Informação Médica (DIM), com várias rescisões de contrato ou contactos para a negociação da rescisão. O referido jornal escreve que deverá existir um acordo informal entre o governo e a Apifarma com o intuito de reduzir em 23% o número de DIMs. O objectivo seria reduzir as vendas de medicamentos e assim refrear o gasto do estado em medicamentos. Ouvidas ambas as partes, o Ministério da Saúde diz que desconhece esse acordo, enquanto que a Apifarma justifica os despedimentos com as sucessivas baixas nos preços dos medicamentos e com a recessão (!) da indústria farmacêutica em Portugal...
  • A Udifar prepara-se para montar um sistema de controlo das carrinhas de distribuição de medicamentos, que consiste na localização por GPS e no envio da informação das encomendas já entregues e as por entregar. Pretende-se com esta iniciativa reduzir custos, diminuir o tempo das entregas e aumentar a qualidade do serviço. Curioso é o facto do sistema permitir que as farmácias recebam um SMS a informar a que horas irão receber os medicamentos encomendados!

sexta-feira, novembro 24, 2006

Escandaloso...

Estávamos nós a meados de Outubro quando as autoridades responsáveis pela Saúde Pública em Portugal finalmente perceberam que as doses da vacina da gripe, que encomendaram às Indústrias Farmacêuticas para o que supostamente cobriria a procura pela população, não seriam as suficientes.
Resultado: durante mais de duas semanas, as farmácias pelo país fora sofreram uma enchente de requisitos e reservas pela vacina da gripe, sem que nada pudessem fazer, visto que o Estado só mais tarde decidiu comprar a segunda leva de vacinas.
Depois, como se não bastasse, as ARS permitiram que os farmacêuticos trocassem uma marca por outra que as farmácias iriam receber em maior quantidade (estamos a falar da Influvac (r)). Aí toda a gente com reserva, ou com receita que eventualmente tenha aproveitado para pedir ao seu médico de família, apareceu aos magotes para levantar a sua vacinazinha... Uma vez escoado uma larga quantidade deste injectável, a procura da população diminuiu drasticamente, tendo as vendas deste produto desacelerado completamente até ao ponto em que se encontram com stock estagnado.
Mas o problema põe-se da seguinte maneira: o que é que os directores técnicos das farmácias fazem com um stock de cerca de 100 vacinas da gripe quando já estamos em plena época pós-vacinação?
Pelos vistos, e porque a lei da oferta e da procura assim o obriga, as Indústrias já têm bom remédio para as vacinas a mais, cujas encomendas as farmácias cancelaram - a sua destruição! A destruição será inevitavelmente o seu destino, uma vez que as vacinas são sazonais e não terão utilidade para o ano que vem. Portanto, estamos a falar de muitos milhares de euros que poderão vir ser deitados fora; euros esses que não contam no orçamento de estado deste ano (pois aquela maquia destinada para este programa de imunização já teria sido gasta). Tudo por falta de planeamento do estado, e com uma grande ajuda do pânico geral do público donde surgiu a procura alarmista pela vacina da gripe.
Acho isto um escândalo na Saúde, que revela a desorganização completa com que se governa este país...

domingo, novembro 19, 2006

Geração pos-pos-pos-doc


Este fim de semana na revista Única (que acompanha o semanário Expresso) vinha uma interessante reportagem sobre alguns investigadores nacionais. Falava sobre uma série de investigadores, que em virtude da baixa oferta de trabalho científico em Portugal, encontravam-se neste momento em programas de bolsas pos-doc para seguir uma carreira de investigação em Portugal. Um dos entrevistados já ia no seu quarto pos-doc!

Este tema é para mim muito interessante, e para a amiga Andie também, visto que já percorremos algum caminho nesta área, e eu pelo menos já equacionei a possibilidade de seguir o meu futuro profissional por esta área.
Olhar para esta série de pessoas que se dedicaram durante anos à investigação, e verificar que só com recurso a estas bolsas é que se mantêm nesta profissão, é muito pouco encorajador. Não que já não tivéssemos conhecimento destes factos, a vida dos alunos de doutoramento na FFUL deixava antever esta situação: só os que conseguem lugar como professores na faculdade é que garantem alguma estabilidade a nível profissional.
Aliás, descobri que um dos doutorados da nossa faculdade está neste momento a trabalhar nos serviços farmacêuticos do hospital onde me encontro a estagiar. Ou seja, mais de 10 anos a fazer investigação e encontra-se agora na carreira de farmacêutico hospitalar, com muito pouco a ver com o que andou a estudar e com enormes dificuldades para integrar-se de novo nas actividades mais clínicas.

A minha visão é um pouco pessimista, é verdade: as pessoas passam os melhores anos da sua vida a trabalhar a sério, para no fim obterem um título académico, uns poucos artigos publicados, e uma grande incerteza sobre o seu futuro profissional. Vale a pena?? Apenas e somente se o que se quer fazer é investigação!

terça-feira, novembro 14, 2006

Depressão nas crianças?

Uma coisa que eu acho que não passa pela cabeça de ninguém é que as crianças possam sofrer de sintomas de depressão. Parece um pouco estranho que uma criança, que normalmente vive despreocupada da vida alheia e dos problemas dos adultos, possa vir a sentir sensações que associamos a um quotidiano cheio de stress, cansaço, fadiga, problemas e mais problemas, muito trabalho... etc! Mas se pensarmos bem, e se a criança sofrer de depressão em relação a um problema que lhe afecta seriamente a sua qualidade de vida? E quando refiro qualidade de vida, falo daquilo a que lhe está intimamente ligado: a sua felicidade enquanto criança. Nestas circunstâncias, parece bastante lógico que uma criança possa sofrer de tristeza extrema como reacção a algo que lhe foi retirado e que, claramente, tem um grande significado na sua vida.

Portanto é nesta sequência que vos apresento uma notícia inglesa, que dá conta de uma menina de 4 anos que sofre de depressão por lhe ter sido negada a continuação da frequência neste ano lectivo decorrente, na escola onde ingressou no ano lectivo passado. O que lhe aconteceu, e que até já aconteceu aos meus sobrinhos (!), foi que a escola chegou ao limite de alunos e a menina já não foi a tempo de ter sido inscrita nessa escola para continuar neste ano. Toda esta situação despoletou uma polémica pois a criança (Molly Murphy) sentiu-se muito triste por ter de se separar dos seus coleguinhas. Molly revelou a sua depressão através de crises de vómitos, molhadelas nos lençóis à noite, e as habituais birras antes de ir para a escola. Claro que vão dizer, (e a minha mãe seria uma boa candidata a este pensamento) "ah, mas isso passava-lhe com uma boa psicologia familiar!" Mas aí é que está o problema! E se acontecem dois casos: 1) os pais não sabem lidar com a situação e até se sentem tão incomodados com isso que acabam por recorrer ao médico para tratar as "birras" e o comportamento invulgar; 2) os pais até sabem reagir bem à situação mas que mesmo assim a criança sinta uma tristeza maior que os obrigue a recorrer a um médico. Poderá ter sido o que aconteceu na realidade, e a decisão médica foi de adesão à terapêutica anti-depressiva.

Obviamente que a 1ª terapêutica neste caso, seria a terapêutica não-farmacológica, que se baseia essencialmente em levar a criança para a escola a que estava acostumada e numa série de exercícios de acompanhamento familiar. No entanto, o médico optou por seguir a terapêutica farmacológica com anti-depressivos. Os efeitos secundários poderão não ter sido estudados para crianças com 4 anos, uma vez que os ensaios clínicos dos medicamentos não englobaram esta faixa etária. Mas no UK os números indicam que, em 2003, 40 000 adolescentes e crianças estava a ser medicadas com anti-depressivos; apesar das associações de famílias apoiarem muito mais a terapia familiar.
Agora, na minha opinião pessoal, faz-me impressão considerar que uma criança de 4 ou 5 anos seja sujeita a terapêutica tão agressiva para o cérebro e para o organismo todo, como a terap. anti-depressiva é. Será que terá repercurssões no seu desenvolvimento psicológico? Será que a tudo que a Molly se queixe, tem de haver uma terapia farmacológica associada? Ou será que isto foi um caso onde não havia outra alternativa senão esta?
O assunto choca um pouco porque a doença é sempre associada a adultos. Mas é preciso ver que se calhar os adultos já chegaram a um ponto tal que querem prevenir a tristeza e as preocupações que as crianças de hoje em dia sofrem... É tal qual uma transposição para os mais pequenos.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Cuidados para farmacêuticos

Sabiam que ter um estagiário até dá jeito aos farmacêuticos sénior? Segundo eles nós aparecemos com os conhecimentos muito mais frescos, e por vezes apanhamos alguns promenores interessantes.

Na semana passada fui encomendado de fazer um pequeno quadro-resumo sobre os estupefacientes que são utilizados no hospital, trabalho esse que me levou a ler os RCM de uma série de fármacos à procura de algumas informações: indicações terapêuticas, dosagens, posologias, vias de administração, etc.



Num desses medicamentos, o transdérmico de fentanilo Durogesic®, vem um extraordinário parágrafo:


Os sistemas transdérmicos usados, depois de removidos, devem ser dobrados ao meio, fazendo aderir pela parte adesiva, colocados na saqueta em que estava antes de ter sido utilizados e deverão então ser entregues na farmácia.

Isto causou polémica nos serviços farmacêuticos! Primeiro ninguém sabia disto, e depois ninguém sabia muito bem o que fazer com os sistemas usados. O mais certo é irem para inceneração!

Noutro dia, fui eu que fui surpreendido com mais um procedimento que deveria ser feito, desta vez em doentes oncológicos submetidos a quimioterapia.

Sabiam que é preconizado que as fezes e urina destes doentes deveriam ser recolhidos para posterior destruição adequada? Alguma vez pensaram que estes resíduos estão cheios de substâncias cancerígenas que vão contaminar o meio em volta? Eu pelo menos nunca tinha pensado nisto, mas a farmacêutica que me explicou isto fez uma cara bem séria, como que deveria ser uma coisa a pensar para o futuro.


Certas coisas passam-nos um pouco ao lado, é preciso estar atento a estes pequenos promenores da vida farmacêutica!

O que se aprende no estágio...


Caros leitores, estou estupefacta!

Chamem-me ingénua, chamem-me o superlativo de honesta, chamem-me tudo o que quiserem! Mas digo-vos que mesmo tendo passado por esta pequeníssima aventura e por mais que tente compreender o porquê desta situação, continuo sem conseguir perceber a necessidade de criar situações destas...

Então o que me aconteceu, e que seguramente acontece por este país fora, em todas as suas farmácia, vezes e vezes sem conta, foi algo inédito para mim (como já deu para perceber!) mas que só me pode ajudar a perceber para o que ser o estágio em farmácia comunitária. A situação é simples, uma senhora idosa (com todo o chico-espertismo ao rubro!) dirigiu-se à minha farmácia para aviar uma receita que o médico lhe passou uns dias antes. Eu verifiquei aquilo que normalmente se verifica logo: se tinha o número de beneficiário correcto, se a cor da vinheta correspondia ao que era suposto ser, se havia vinheta do médico, se a receita está assinada pelo médico, se está dentro do prazo... enfim, uma série de coisas. Mal sabia eu que a senhora, de um dos dois medicamentos que vinham receitados, tinha artisticamente transformado o 1 em 2, assim como a palavra uma em duas! Ou seja, tinha rasurado aquilo que o médico tinha escrito! E isto, em relação a um medicamento (Ben-u-ron (r)) que custa cerca de dois euros (PVP) e que depois de comparticipado fica com um custo para o utente de 0,62 euros!!!!!

Claro que eu não reparei nisto, até porque estava (e volto a salientar) artisticamente bem rasurado: a cor da tinta era igualzinha, o 1 estava meio torto originalmente, o que lhe facilitou na transformação para 2 e a palavra um do sr doutor estava uma espécie de rabisco iniciado com um "u"...
A minha colega farmacêutica que estava a fazer a conferência das receitas é que me chamou a atenção e explicou-me: 1) a gravidade da situação pois a receita poderá vir devolvida pelo Infarmed; 2) face a uma situação similar, como é que deverá ser a minha atitude. Mas rematou com uma bela frase:"É para isto que serve o estágio: para a Andrea se aperceber da quantidade de coisas para as quais tem de ter atenção!"

A mim resta-me divagar o porquê destas falcatruazinhas que parecem ao utente uma coisa sem importância mas que pode dar algumas dores-de-cabeça às farmácias e aos farmacêuticos. Resta-me também ficar um pouco desiludida com a minha honestidade e por acreditar que toda a gente é como eu, por eu nunca pensar em fazer este tipo de coisa!

You live, and you learn! Acho que não há frase mais adequada aqui.

Claro que os meus colegas minimizaram logo o meu erro e deram-me conta das vezes que isto aconteceu, dando vários exemplos com diferentes coisas: preenchimento da receita com outros medicamentos, utentes que põem as portarias para terem maior desconto - só porque o médico se esqueceu..., entre muitos outros casos mirabolantes. Basicamente o que me aconteceu, até por ser com um "mero" Ben-u-ron (r), é considerado o arroz doce das aldrabices dos utentes!

terça-feira, novembro 07, 2006

Ar quente dá cabo dos piolhos!


Ora a isto é que eu chamo uma invenção maravilhástica (tm)!!! Portanto o que havia até hoje disponível no mercado para dar cabo dos malvados piolhos que se apoderam das cabecinhas das crianças, eram essencialmente medicamentos pediculicidas que tinham a desvantagem de serem tóxicos tanto para a cabeça como para os parasitas, havendo ainda a possibilidade de existir piolhos resistentes a essas substâncias. Ainda como novidade, deu-se a entrada no mercado de um produto que asfixia o piolho, matando-o, sem qualquer tipo de tóxicos, sendo então muito mais "inócuo" para o hospedeiro. No entanto, e porque a ciência não pára, uma equipa de cientistas americanos desenvolveram um secador de cabelos especial para matar os piolhos! Este secador trabalha a uma temperatura mais baixa do que aquela que normalmente os secadores de cabelo normais, que temos em casa, trabalham. [portanto, não experimentem com esses secadores de trazer por casa porque só vão ganhar um couro cabeludo a escaldar!] A sua eficácia é devida também ao fluxo de ar mais acelerado que é criado pelo secador.
Resumindo e concluindo, ao secar o ar em volta dos piolhos e das lêndeas, estes parasitas não conseguem sobreviver sem determinada percentagem de humidade, acabando por morrer. A eficácia deste aparelho já foi testada e foi provado que erradica 70-80% dos piolhos e quase 100% das lêndeas, sendo que os parasitas sobreviventes não conseguem reproduzir-se para infestar novamente o couro cabeludo.
Ainda não está prevista a data do lançamento deste aparelho, mas até lá não se recomenda a experiência de usar o secador convencional; recomendando-se sim, a utilização das loções e champôs que se encontram no mercado.

sábado, novembro 04, 2006

Health ketchup, edição nº4

Prontos para mais um health ketchup? ;-) Sinto-me um disco riscado, por estar sempre a repetir o formato dos meus posts e também por dizer que não tenho tido tempo para postar neste blog! Mas a verdade é esta e não consigo arranjar melhor alternativa do que este formato... "ketchup"!
Então cá vão as notícias que me despertaram a curiosidade:

#1 - Há uns dias vi na Forbes um artigo que comentava um estudo de saúde pública feito para avaliar a eficácia da vacina da gripe na prevenção desta doença, nos dias que correm, em relação à população que é actualmente vacinada. O estudo assugura que nada garante que a população vacinada, que normalmente é aquela que é considerada como estando em risco (crianças 6-24 meses, idosos e doentes crónicos), esteja realmente protegida contra o vírus da gripe. É algo que para nós, estudantes de farmácia, ainda por cima por termos tido a cadeira de virologia agora no recente 5º ano, até podemos compreender. Ora vejamos, a vacina é (normalmente) feita com vírus inactivos. O vírus da gripe, Influenzae é um vírus que tem vários segmentos genómicos que facilmente comutam entre si, havendo portanto maior facilidade de se criar novas estirpes. Assim, mesmo que se vacine com um vírus da gripe inactivos que tenham pertencido a estirpes relativamente novas, nada nos garante que essa estirpe ainda seja a que infecta a maior parte da população. Sendo assim, tudo depende da estirpe que circula durante os meses de Inverno em cada ano. Deste modo, este estudo epidemiológico concluiu que, por exemplos no grupos dos idosos, estas vacinas têm uma eficácia de somente 60-70%. O que realmente se conclui neste estudo publicado no British Medical Journal, é que não há estudos suficientemente bem esclarecidos que provem a eficácia a 100% das vacinas que correntemente são alvo da atenção da população mundial que se quer prevenir contra a gripe. É realmente alarmante, especialmente quando já se fala na possibilidade da pandemia da gripe das aves.

#2 - Esta notícia é um dois em um: primeiro pela notícia em si mesmo, e depois porque refere-se a um passo de desenvolvimento de fármacos muito importante e que tem estado muito em voga - o chamados carriers. Portanto, cientistas americanos & italianos estudam a hipótese de se poder criar um contraceptivo masculino, através de um fármaco que desenvolveram - "adjudin" - e que tem como alvo as células de Sertoli, importantes na espermetogénese por permitirem a maturação dos espermatozóides. Este composto, ainda só testado em ratos, terá como mecanismo de acção promover a separação dos espermatozóides, ainda por amadurecer, das células de Sertoli, provocando infertilidade temporária. Quanto ao segundo lado desta questão, esta molécula foi associada à hormona FSH que funciona como carrier por levar pequenas doses para os testículos do rato, impedindo assim doses superiores e evitando efeitos adversos exacerbados.

#3 - Finalmente está a ser criada a hipótese de haver um teste sanguíneo de rastreio da doença de Alzheimer. Os investigadores basearam-se em diferenças de proteínas que o sangue destes doentes apresentam em relação às pessoas saudáveis (viva à proteómica!!). Embora ainda falte muito tempo até termos verdadeiramente disponível um teste deste tipo, a sua importância não pode deixar de ser referida. A doença de Alzheimer tem sido alvo de vários estudos que desenvolvem tratamentos a serem seguidos nas fases iniciais da mesma, o maior problema é conseguir fazer o diagnóstico numa fase tão inicial. É neste contexto que se insere a importância deste futuro rastreio.

#4 - No UK (Univ de Edinburgh) descobriram um gene ligado à psicose/esquizofrenia. Denominaram este gene de neuregulin (em inglês), que descobriram ter uma maior probabilidade de se encontrar em pessoas esquizofrénicas do que em pessoas sem sintomas psicóticos. Já se sabe há algum tempo que esta doença tem contributo genético em causa, mas esta é a primeira vez que se discute a existência de um gene responsável pelos distúrbios psicóticos verificados nas pessoas esquizofrénicas. De qualquer maneira resta saber em que medida o gene influencia. Ou seja, até agora sabe-se que pelos menos este gene constitui uma diferença (em termos hereditários) entre as pessoas com psicoses e aquelas sem esses sintomas. Mas mais estudos devem ser desenvolvidos para descobrir aquilo em que o gene implica, até porque só assim se perceberá melhor a doença e poderá, eventualmente, chegar a uma terapêutica cada vez mais específica.