sexta-feira, janeiro 18, 2008

Algo cheira mal... parte II

Bom, parece que a causa do cheiro que ontem andou a pairar os lados da FFUL já foi descoberta (e aqui também).

Encontrou-se um frasco de ácido sulfídrico despejado nas imediações da FFUL! Que escândalo!

Isto só prova aquilo que eu escrevi no post anterior - esta faculdade não sabe tratar dos seus resíduos nem sequer consciencializar minimamente os seus funcionários a terem atitudes correctas face a situações destas.

Espero que este episódio tenha servido de aprendizagem neste campo. [eu realmente sonho muito, não é?]

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Algo cheira mal...

... ali para os lados da Av das Forças Armadas!

Segundo as notícias do dia de hoje (por exemplo as do Público: aqui, aqui e aqui) detectou-se um cheiro forte parecido com gás, na zona de Entrecampos, mais concretamente entre a FFUL e o ISCTE. O ISCTE foi evacuado, a cantina foi evacuada (provavemente terá sido a cantina II), bem como a creche onde se toma conta dos filhos dos funcionários da Universidade de Lisboa. O metro encerrou estações e descontinuou a circulação, por algum tempo (não sei se por algumas horas), da linha amarela.

Mas curioso é o facto do jornal dizer que às 13h00, o edifício principal da FFUL ainda não tinha sido evacuado, só alguns pavilhões [deve referir-se ao da química & microbiologia]:

As instalações do ISCTE foram totalmente evacuadas e também foram retiradas pessoas de alguns pavilhões da Faculdade de Farmácia, de acordo com uma funcionária da instituição, que acrescentou que o edifício principal ainda não tinha sido evacuado, pelas 13h00.


Se há conversa que me lembro de ter com o meu colega e amigo Riacrdoo é mesmo sobre o modo como os "esgotos" na nossa ex-instituição de ensino são tratados. E eu, como ex-aluna do departamento de química orgânica, lembro-me de estar a ver litros e litros de diclorometano e acetato de etilo pelo cano abaixo. Claro que se reciclava muitos solventes, mas mais por questão financeira de os reutilizar para poupar nos gastos de compra de novos solventes. Por isso, invariavelmente acabavam por ir para o esgoto na mesma.

Para quando um tratamento mais sério e digno dos solventes orgânicos e clorados/fluorados?
A nossa saúde em primeiro lugar, e confesso que cada vez que me lembro da falta de cuidados neste pequeno mas tão importante aspecto do trabalho laboratorial, até me envergonho de ter estado envolvida nesta questão por resolver.

Ainda me lembro de contestar a minha supervisora pelo facto de nos vermos obrigados a deitar fora garrafas usadas de solventes
[fazendo parte do lixo que não é reciclável], quando deveriam ser incineradas.


sexta-feira, janeiro 11, 2008

O que se lê

Hoje li um artigo por inteiro, de um senhor de quem costumo ler o que escreve no seu blog.
Já tinha lido as primeiras linhas há uns tempos, apanhado no reader, mas fiquei-me pela frase "[...] o que mais me impressionou foi o contraste entre a repressão contra os fumadores e a tolerância passiva perante a obesidade mórbida." Um comentário seu a propósito da sociedade nos USA (aconselho a leitura do artigo!). Pareceu-me uma verdade, um contraste mesmo estatelado à vista de todos.

É óbvio que se percebe o que se discute neste artigo de sua opinião, mas quando me deparei com o último parágrafo achei-o completamente descabido.
Uma comparação entre os maus hábitos de saúde (como é o exemplo que dá de gorduras em excesso na alimentação & fumar) e o que o politicamente correcto nesta área hoje em dia obriga, não é a mesma coisa que falar sobre o genocídio praticado contra o povo judeu durante a II Guerra Mundial. O argumento "agora o alvo somos todos nós", torna este assunto de propaganda de saúde como uma perseguição malévola e que vai dar cabo de todos nós? E esse argumento é motivo de comparação? Antes foram os judeus, e agora podemos ser todos nós?! Mas os judeus foram perseguidos pelo politicamente correcto da saúde? [claro que não!...]

Se por um lado percebo perfeitamente que o seu comentário é uma crítica à hipocrisia que é o marketing em saúde, para consciencializar a sociedade a ter atitudes "mais saudáveis"; não percebo o final deste artigo.

Acho que a propaganda de melhor saúde vem na continuidade de estudos que revelam os malefícios da alimentação errática que se pratica hoje em dia, os malefícios do tabaco, do álcool, ou o impacto que noites mal dormidas podem ter no nosso organismo.
Os estudos científicos têm determinada credibilidade, é preciso lê-los e ter autocrítica suficiente para saber interpretar e perceber o que se pode implementar e adoptar como modificação do estilo de vida.




quinta-feira, janeiro 10, 2008

Idiossincrasias (II)

Hoje decidi apresentar a minha opção para a construção do novo aeroporto de Lisboa. Apetece-me!

Ora, a minha opção é a Amadora, isto porque:
1 - Ao arrasar a Amadora, eliminávamos os problemas de urbanismo;
2 - Ao usar os escombros para construir as pistas e aterros, não usávamos betão (poupança de recursos);
3 - Não nos temos de preocupar com a flora e a fauna autóctone (visto que não existe);
4 - Reduzíamos o tráfego no IC19 e 2ª circular (menos poluição e trânsito);
5 - Temos uma linha de comboio e outra de metro a ser construída.

Digam lá que não é um aeroporto bem mais económico e ambientalmente sustentável!

O único senão é que já me apresentaram uma alternativa, para confundir, tal como no par OTA/Alcochete: Moscavide.

Agora quem quiser que escolha! :)

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Na sequência...

Na sequência daquilo a que tenho falado ultimamente, ontem foi anunciada a decisão de incluir no plano de vacinação gratuita do nosso país, a vacina contra o cancro do cólo do útero.
Uma vacina que será administrada preferencialmente em raparigas com 13 anos de idade, a razão da escolha prende-se pois nesta idade não terão iniciado a sua vida sexual e ainda estão numa idade em que coincide a administração de outras vacinas (segundo o artigo).

Uma boa notícia. Para a sociedade portuguesa. Claro que não é uma boa notícia para quem toma conta das finanças deste país (pois a vacinação é em três fases, com um custo total de cerca de 500 euros). Mas é bom saber que ainda há quem siga prioridades. Em nome da saúde e do decréscimo da incidência deste tipo de cancro nas futuras mulheres adultas portuguesas.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Piadas Farmacêuticas (III)

Acabei de colar a senha de passe na carteira profissional...
Já posso apanhar o 732 para o hospital... :S

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Uma causa a não esquecer



É verdade que estamos a aproximar-nos do Natal, e mesmo que seja uma época propícia a actos de solidariedade [e que devemos constantemente lembrar que não deveria ser só nesta época que tais actos se exacerbassem], venho chamar a vossa atenção à petição STOP Cervical Cancer. Cada um de nós pode assinar a petição. Pede-se aos Governos da União Europeia para tornar parte dos seus programas nacionais de saúde o rastreio para o cancro do cólo do útero criando assim condições para uma detecção mais precoce desta doença.



Uma petição em que curiosamente Portugal já tem 10933 assinaturas.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Fomos contemplados!

Dá vontade de cantar a musiquinha e dizer:




Fico contente que estejamos na lista do boticário. Apesar dos nossos escassos posts; talvez não tão brilhantes como os da lista e do boticário, mas gosto de pensar que ainda têm o seu lugarzinho ao sol que brilha para a blogosfera! (especialmente a blogosfera farmacêutica!) :)

quarta-feira, novembro 21, 2007

Umas quantas recomendações de leitura

Apesar de ser uma recomendação já feita por quem efectivamente esteve presente no colóquio, reforço a passagem da informação.

A palestra foi promovida pela Secção Regional de Coimbra da Ordem dos Farmacêuticos e o Prof. Pedro Pita Barros (economista e professor da FEUNL) apresentou as suas ideias acerca da liberalização da propriedade das farmácias, na consequência do dec-lei já aprovado em Agosto passado, e discutido há pouco menos de um mês na AR. Mas como eu não assisti, não vou papaguear o que li.
Por isso recomendo vivamente os links que já expus ao longo deste post e recomendo ainda a leitura dos slides apresentados por quem falou sobre o assunto, até porque é uma exposição das diferentes visões sobre este tema [embora não seja imparcial, pois a sua conclusão dirije-se à sua opinião formada].

Ainda como adenda, e também por sugestão do boticário, recomendo a leitura, mesmo que seja na diagonal, do relatório da Universidade Católica para a Autoridade da Concorrência sobre "A situação concorrencial no sector das farmácias" em Portugal.

domingo, novembro 18, 2007

Mudam-se os tempos... mudam-se as sondagens!!

Pois é malta!

A intenção foi boa, a iniciativa até tinha pernas para andar (ou pelo menos, nos meus sonhos), mas a sondagem anterior que tinha o tema: "Sente-se informado sobre o processo de adequação da licenciatura em Ciências Farmacêuticas a Mestrado Integrado?" já deu o que tinha a dar!

Tempo para mudar de sondagem...

Ainda acerca da anterior, os resultados foram os seguintes (sem grande desenvolvimento, desde há uns meses para cá):

Muito bem (0%)
Bem (7%)
Mais ou menos (41%)
Mal (22%)
Muito mal (30%)

com um total de 27 votos.

Na minha opinião, a grande percentagem para "mais ou menos" não é aceitável. No entanto, já passou quase um ano desde que soubémos com certeza e confirmação por parte dos professores que o nosso curso na FFUL ia passar a ser um mestrado integrado, e pouco mais pudémos fazer para nos esclarecermos melhor. Nas actividades de estágio seguintes, nada se falou sobre o assunto. Não deveria ser o local mais apropriado para esclarecer dúvidas. Mas a separação inevitável associada à conclusão do estágio ainda proporcionou maior falta de informação.

Eu própria fiquei a saber um eventual "ponto negativo", chamemos-lhe assim, de ser mestre integrada, quando fui à OF saber como é que se está a processar a aceitação por parte da RPSGB de recém-licenciados como eu que querem trabalhar no UK como farmacêuticos. Digo eventual por duas razões:
a) pelo que sei, até agora não impediram ninguém de se inscrever
b) o meu caso está a demorar a descobrir porque há mais de dois meses que espero pelos certificados: de habilitações e de conclusão de curso.


Bom, de qualquer modo, mudou-se a sondagem... Para algo mais actual - a entrada no mercado de trabalho. Espero que cative a vossa atenção! Votem! :)

sexta-feira, novembro 16, 2007

O flagelo da frase "esse medicamento está em ruptura de stock"

O assunto que hoje trago para o Linezolide é um tema que traz muitas dores de cabeça a quem precisa de medicamentos, como um doente crónico, e não os há por haver ruptura de stock.

Ainda não percebi muito bem se o problema da ruptura de stock de medicamentos se prende somente com um mau cálculo por parte de quem encomenda da "casa-mãe" as quantidades a ter em Portugal, ou se estamos a falar de uma falha a nível da "casa-mãe", por exemplo, a nível de produção.

Quando falta um medicamento, existe em mim uma necessidade de perceber o que se passa com essa falta. Acho que não devo ser só eu a ter esta dúvida! :) Espero eu... Até pelo bem do utente que precisa do medicamento.

Já nem falo de faltas como a do Lorenin ®, que sinceramente até acho que a grande maioria das pessoas toma este medicamento já pela indiferença que existe em tomar esta classe de medicamentos. Falo de falhas de stock em Portugal de medicamentos que não têm muitas outras opções terapêuticas.

Outra coisa que me parece tão estranho acontecer, mas que é muito real, é o sentimento de complacência para com a maneira de resolver o assunto. Não há grande alternativa em resolver o problema, enquanto simplesmente se espera pela reposição de stock, porque muitas vezes enquanto isso, há ainda alternativas terapêuticas, como os medicamentos genéricos ou a mesma substância activa em formulações de outras marcas registadas.

Mas e quando nada disto existe? A resposta foi recentemente, no ínicio deste ano, legislada pela Deliberação 105/CA/2007. Numa das secções deste documento abre-se autonomia para que farmácias comunitárias possam colmatar esta falta com a importação directa dos medicamentos em falta, de uma farmácia de um país onde o medicamento tenha AIM aprovada (país da UE, claro está). Pode também adquirir através dos esforços de uma empresa distribuidora que tenha contactos noutros países.

É claro que fico contente que a farmácia possa ajudar mais do que podia, antes desta deliberação ser aprovada. Mas é um passar de batata-quente que se torna bastante explícito quando se interroga um laboratório representante da marca em falta.

O próprio envolvimento do Infarmed neste processo resume-se a uma eventual espreitadela aquando da próxima fiscalização. A farmácia que adquire medicamentos nesta base de "AUE-modificada", como lhe chamo, está obrigada a apresentar ao Infarmed, de 6 em 6 meses, uma listagem dos medicamentos que importou do estrangeiro, e manter a papelada exigida pela lei em ordem.

Queixo-me de duas coisas:

1) a necessidade dos laboratórios compreenderem que os medicamentos não podem faltar aos utentes que necessitam deles; mas sobretudo, que não mostrem a sua inércia quanto a este assunto, como se "enquanto há alternativas terapêuticas, nada podemos fazer!". Nem sempre é verdade, cada indivíduo tem a sua ADME, e por isso as alternativas terapêuticas até podem deixar de existir para determinado indivíduo.
Nesta situação, noto os laboratórios de mãos mais atadas do que as farmácias.

2) Em relação à última frase do ponto anterior, não acho que seja necessariamente mau que as farmácias agora tenham esta autonomia. Mas, como entidade privada, praticamente solitária em termos de movimentação no mercado de aquisição (sem ser obviamente pelos contactos do costume que são nacionais), não acham que é um passar para as farmácias uma questão que estaria obrigatoriamente mais relacionada com as indústrias (nem que seja pelo facto de estas fazerem parte de uma cadeia internacional de mercado)??
Em resposta a esta questão, acho que só prova que o multitasking do farmacêutico é aquilo com que contam quando deliberam este tipo de questões.

Por mim, fico contente, como já disse anteriormente, que haja esta liberdade de aquisição e também uma pseudo-desburocratização. Acho é triste que os responsáveis pelo problema se mantenham nos seus lugares, a admirar a celeridade dos outros que pouca experiência têm a resolver estes casos, e nada façam ou contribuam para que um utente possa ver o seu problema resolvido mais depressa.

sábado, novembro 03, 2007

Piadas Farmacêuticas (II)

Hoje vou ser mauzinho! :D

1 - Por estes dias dispensei uma caixinha de 21 comprimidos que custou mais de 5000€. Devem mesmo querer deixar-nos a rir com estes preços!

2 - Se há coisa que eu gosto mesmo de dispensar num hospital é genéricos: mesmo que a receita venha com as cruzinhas perfeitamente desenhadas e a assinatura bem legível, tudo certinho, o que houver é o que o doente leva: "Olhe, vai levar genérico!" :P

3 - Inscrevi-me na ordem no princípio do mês passado. Duas semana mais tarde recebo uma carta a dizer que tenho cerca de 25€ de quotas em atraso...

4 - Apanhámos enfermeiros a enviar por correio medicação injectável de frigorífico! LOL!
Pronto, vá lá, eu admito: aquilo até tem estabilidade de 30 dias a 25ºC, mas eu não ficaria muito descansado a ver a medicação a viajar pelo Alentejo num camião de distribuição dos CTT.

sexta-feira, novembro 02, 2007

Publicidade a medicamentos

Um relatório francês veio pôr na ordem do dia as visitas dos delegados de informação médica (DIMs) e a prescrição de medicamentos.
Segundo este relatório da Inspecção Geral dos Assuntos Sociais de França (IGAS), recomenda-se aos poderes políticos a redução dos investimentos que os laboratórios disponibilizam para a publicidade dos medicamentos. Mais ainda, uma série de relatórios que se acumulam há já alguns anos referem existir uma "inadaptação entre a visita dos DIMs e o uso racional do medicamento". Embora em França as regras sejam muito mais apertadas (por exemplo, este artigo do Le Monde diz que oferecer uma pen USB a um médico é quase um delito), estas perecem não produzir qualquer efeito.



Nós por cá, as coisas são então muito diferentes: desde o mais básico merchandising (canetas, blocos de notas, pen's USB, ratos para pc, tapetes para ratos de pc...), aos congressos no estrangeiro ou formações avançadas no nosso país com uma "grande" componente social.
E ouvem-se histórias engraçadas entre os pares! Um DIM confidenciava há dias que uma viagem de barco não foi um incluída num programa de uma formação porque não havia meio de a justificar nas contas da empresa. Outra pessoa conficenciava também que há uns anos atrás quando se fazia anos havia sempre muitas prendas dos laboratórios, mas agora isso já ia acabando...

Bom, eu confesso que já comecei a entrar nesses esquemas: às vezes sabe muito bem passar um fim de semana num sítio agradável (acompanhado ou não), e então canetas e blocos de papel nem se fala! Resta saber como se deve agir: aproveitar tudo ao máximo mas ao mesmo tempo manter uma espécie de distanciamento do género "eu é que decido se vendo ou não, se prescrevo ou não"? Contudo, tal como este relatório refere, todos estes custos reflectem-se no preço do medicamento, ou seja, todos pagamos no final.

Para acabar, o relatório apresenta como medidas a criação de um observatório da prescrição (de forma a avaliar tendências de prescrição) e a criação de uma rede de "médicos sentinela", que emitiriam um parecer sobre cada visita efectuada pelos DIMs.

domingo, outubro 14, 2007

HIV update

Ultimamente apareceram mais alguns fármacos antiretrovirais, que espero que aumentem efectivamente o nosso arsenal de fármacos contra o VIH.

Maraviroc

Este fármaco representa uma nova classe de fármacos, os inibidores do co-receptor CCR5. Este co-receptor é de extrema importância num dos passos fulcrais da infecção pelo VIH, a ligação aos linfócitos CD4+. Os ensaios clínicos provaram que este fármaco era útil, após falência de outros regimes terapêuticos, principalmente quando acompanhado por outros fármacos contra os quais ainda não tenham sido adquiridas resistências. Já foram detectadas resistências a este fármaco, nomeadamente a emergência de estirpes virais que não utilizam o apenas o CCR5 como co-receptor, mas também o CXCR4.

Raltegravir e Eltegravir

Estas moléculas representam também mais uma nova classe de fármacos, os inibidores da integrase: esta enzima catalisa a inserção do genoma viral no genoma do hospedeiro. O raltegravir, já com ensaios clínicos de fase III concluídos, mostrou uma redução significativa dos níveis de RNA viral e aumento do número de linfócitos CD4+ em comparação com placebo. Foram também detectadas mutações nesta enzima que levaram à falência da terapêutica. Já o eltegravir revelou eficácia terapêutica (redução dos níveis de RNA viral) ao fim de 2 semanas de tratamento, desde que combinado com pelo menos um fármaco sem resistências.

Destes fármacos, o maraviroc e o raltegravir já foram aprovados pela FDA. Deste lado do atlântico só o maraviroc foi aprovado mas ainda não se encontra disponível para tratamento.
Falta ainda saber qual o lugar destas moléculas na terapêutica do HIV: provavelmente ficarão como fármacos de reserva quando ocorre a falência de outros esquemas terapêuticos.

terça-feira, setembro 25, 2007

Uma boa pergunta

Porque é que nas gavetas das nossas farmácias temos duas apresentações praticamente iguais (até na caixa) do mesmo medicamento - ranelato de estrôncio?

Temos o Protelos® e o Osseor® . Ambos da mesma substância activa em forma de grânulos para suspensão oral, na mesma dosagem, com uma caixa de 28 saquetas, formato e design praticamente iguais, e como não poderia deixar de ser, com o mesmo preço?

Se virmos o site do medicamento vemos que tem muitas mais apresentações. Mas não percebo porque é que temos mais de que uma da mesma coisa nas nossas prateleiras.

A resposta está no facto dos médicos prescreverem ou um ou outro a pensar que são de diferentes laboratórios? Pode ser então uma aposta do laboratório para lucrar mais, por vender a mesma coisa sob nomes diferentes!...

Será?

como dizia o tucano: "será do guaraná® ?"

segunda-feira, setembro 24, 2007

Os 10 lugares mais poluídos do mundo

Há dias descobri um site na web sobre os dez locais mais poluídos do planeta. Este site foi criado por uma ONG, a Blacksmith Institute, que recebe doações precisamente para ajudar esses locais a poderem recuperar da poluição.
Ora cá vão alguns exemplos da lista:

Sumgayit, Azerbeijão: Contaminação com compostos orgânicos e metais pesados, provenientes de antigas indústrias soviéticas, que originam taxas de incidência de cancros 22 a 51% acima dos valores normais do resto do Azerbeijão. Também com elevadas taxas de nascimentos prematuros e de malformações congénitas.

Linfen, China: A cidade chinesa com a pior qualidade do ar tem como principais poluentes as poeiras (provenientes de minas de carvão), NOx, SO2, arsénio e chumbo libertados pelo grande número de indústrias presentes. Os principais problemas de saúde que resultam são então doenças respiratórias (bronquites, pneumonias e cancro do pulmão), elevados níveis de arsénio, e no caso das crianças elevados níveis de intoxicação por chumbo.

Chernobyl, Ucrânia: O único local europeu entre os 10 mais poluídos do mundo é um caso grave de poluição radioactiva, após a fusão de um dos reactores nucleares que existiam nesta cidade. Na zona geográfica atingida ocorrem elevadas incidências de cancro da tiroide (por exposição a isótopos radioactivos de iodo), principalmente nas crianças e adolescentes que nasceram após o acidente nuclear.

E mais há, todos em países subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento, e todos resultantes da actividade industrial humana.
Exige-se um pouco de atenção a estes locais. Para aprendermos a não repetir!

quarta-feira, setembro 19, 2007

Piadas Farmacêuticas

Acho que também deveríamos começar uma colectânea de piadas farmacêuticas aqui no linez!

Ora cá vai a 1ª!

Há uns dias estava eu a teclar com a nossa colega teardrop, quando criámos uma magnífica piada:

Dizia ela: "Olha, vou sair por uns momentos, mas depois voltaren"
Respondi eu: "OK, desde que não seja retard..."
Rematou teardrop: "Não não, é mesmo rapid !"

segunda-feira, setembro 17, 2007

Catálogo de pontos

Veio em notícia do jornal Público que está em projecto uma parceria da ANF com a Caixa Geral de Depósitos para criar um cartão de crédito que os utentes possam utilizar na compra de medicamentos não sujeitos a receita médica, nas farmácias. Acumulam-se assim pontos que darão descontos em futuras compras nos mesmos estabelecimentos.
Mas atenção que os descontos não são válidos nas compras de medicamentos sujeitos a receita médica! Não, não... para esse desconto já chega os diferentes escalões de comparticipação do SNS!...

O presidente da ANF, João Cordeiro, confirmou a iniciativa, mas adiantou que o projecto estava ainda numa fase embrionária, acrescentando que não iria entrar em pormenores “para não estragar a surpresa”.
Palavras tiradas da mesmo notícia que veio no Público. A surpresa de facto é muito grande - não quero que ma estraguem mais!!

Tenho só uma pergunta: do modo como isto dos descontos vai em Portugal, e a gasolina a subir... a subir... a subir... Será que os pontos colectados na farmácia também poderão ser trocados por litros de gasolina? Isto até fazia sentido se as gasolineiras pudessem ser parafarmácias, como pensado aqui há uns tempos atrás.

Outra ideia era trocar os pontos por consultas de médicos privados. Faz sentido, se os produtos cosméticos vendidos nas farmácias entrarem no esquema de pontos, uns 15 ml de um creme anti-rugas maravilhoso da Lierac serão mais que suficientes para pagarem uma consulta no oftalmologista!


[talvez esta ideia não dê, enquanto não virmos os código deontológico da OF mudado... coisa que deve estar para breve. Sim, pois esta febre de pontos quando atacar será em grande! Com certeza que ninguém quer ficar para trás...]

terça-feira, setembro 11, 2007

Notícias!

Pois é, já há um tempo que não postava nada neste blog.
Vão agora alguma notícias!

Gemtuzumab

Anda por aí um engraçado anticorpo monoclonal (AcMc), se bem que ainda não aprovado em Portugal, para a leucemia mielóide aguda (LMA). Este Ac é mais uma maravilha da indústria farmacêutica: é dirigido aos receptores CD33 (de função desconhecida) presentes nas células hematopoiéticas e encontra-se covalentemente ligado a um fármaco antitumoral denominado de caliqueamicina. Ora este fármaco funciona do seguinte modo: o anticorpo ao ligar-se ao receptor é translocado para o interior da célula, onde por hidrólise nos lisossomas liberta o fármaco. Este funciona como agente alquilante no DNA.
Este AcMc parece estar a ter algum sucesso nas recidivas de LMA refractárias à quimioterapia convencional, geralmente doses elevadas de citarabina, e foi aprovado nos EUA precisamente para esta indicação. Mais ainda, este AcMc está em estudo para ser usado na população pediátrica para a mesma indicação terapêutica.

Carreiras em Saúde

Já que enveredei pela carreira hospitalar, apraz-me saber que o ministério da saúde criou um grupo de trabalho para estudar a reavaliação das carreiras e a remuneração no âmbito das instituiçõs de saúde do ministério. A ordem dos farmacêuticos anda em cima do assunto, de modo a propôr a criação da carreira de farmacêutico no ministério da saúde. Fico à espera de mais promenores!

quinta-feira, setembro 06, 2007

Nem há uma semana lá estou...

Comecei a trabalhar novamente em farmácia comunitária; primeiro dia foi 3 de Setembro.

Nem uma semana fez que estou a trabalhar e já encontrei variadíssimos casos alarmantes de como o malfadado "sistema" não funciona. Vou passar a descrever sucintamente o que me aconteceu ontem, quarta-feira dia 5 de Setembro.

Uma senhora idosa, visivelmente transtornada, cansada e com dificuldade em andar (auxiliada por uma bengala), dirigiu-se a mim com um par de receitas acabadinhas de serem prescritas pela sua médica de família, no H.Curry Cabral. Receitas electrónicas, importante frisar. Quando as passa para a minha mão, a minha reacção foi de desilusão e um pouco de desespero - o cabeçalho inteiro em ambas as receitas não fora impresso! Não havia número de receita, nada de código de barras do local de prescrição, nada de nome, nada de número de beneficiário! Como é que é possível, pensei eu?
Após uns primeiros instantes a analisar o mais que pude aqueles papéis para ver se havia alguma alternativa para a senhora levar os seus medicamentos, decidi recorrer ao conselhos dos colegas. Chegámos todos à conclusão que nada feito! Não se poderia dispensar nada com o desconto, não se podia aceitar a receita. Ainda propus fazer aquilo que não é permitido mas que todos fazem - venda suspensa; mas a senhora nem dinheiro tinha para comprar pelo preço inteiro.
Uma situação desconfortável para nós, farmácia. Situação de desespero para a senhora! [ficou comigo uma série de minutos intermináveis praticamente a chorar e a lamentar-se.] E isto tudo poderia ter sido evitado se o médico prescritor tivesse aberto os olhos quando assinou a receita...

É o verdadeiro jogo de "passar-a-batata-quente"! Ninguém se importa... e eu sinto-me culpada por não poder ajudar mais.

Ainda por cima hoje em dia, em que o controlo das receitas aviadas está tão apertado como o cinto financeiro dos portugueses!...